Má administração emperra crescimento econômico
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Há exatos 20 anos, em 15 de janeiro de 1989, o País ganhava mais uma promessa. Entrava em cena o cruzado novo, moeda que tinha três zeros a menos em relação ao cruzado e era mais um plano, desesperado, de conter a inflação, que passava de 1000% ao ano. O então presidente José Sarney prometia, em cadeia de TV, que dessa vez daria certo. Estava aberta uma ''guerra total contra a inflação e pela salvação nacional'', de acordo com as palavras de Sarney. Ele já havia fracassado outras duas vezes, com os planos Cruzado (1986) e Bresser (1987). E fracassaria novamente.
O cruzado novo foi mais um capítulo na história da economia brasileira. Em oito anos - entre 1986 e 1994 -, o Brasil passou por sete planos econômicos e cinco moedas; período que culminou com o real, a moeda de maior longevidade em quatro décadas e que conseguiu o feito de controlar a inflação, porém a taxa de crescimento do País não decola, sequer chega à média de outros países emergentes. O governo tucano de Fernando Henrique Cardoso culpava a instabilidade econômica mundial da década de 1990. O petista Lula há tempos promete um ''espetáculo do crescimento'' que não chega nunca.
A história serve como base para a análise do atual momento da economia nacional. De acordo com o professor do departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Pontifícia Universidade Católica (PUC) Azenil Staviski, os planos, mesmos fracassados, serviram de aprendizagem para o controle da inflação no País. ''Mas não estamos livres dela. É bom lembrar que demoramos 30 anos para controlá-la'', ressalta, explicando que, se não houver atenção, é possível voltarmos a amargar índices que chegam aos dois dígitos antes da vírgula por ano. Vale dizer que a inflação anual de 2006 foi de 3,79%. A de 2008 foi de 7,89%.
Em relação à crise econômica mundial, Staviski explica que, pela primeira vez no período pós-guerra, o Brasil tem condições de enfrentar uma situação drástica, porém a falta de política de investimentos governamentais não permite.
''A economia é razoavelmente competitiva, temos a melhor indústria da América Latina, a dívida externa é baixa, as taxas de juros internacionais idem - o que alivia a pressão externa - e a dívida pública também é baixa. Em outras palavras, o governo pode voltar a investir'', sintetiza o professor para, em seguida, diagnosticar o motivo do atraso.
''O governo tem espaço para investir, mas não tem política para isso. O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) está mais no papel do que na prática, é lerdo. É preciso aumentar os investimentos para espantar a recessão. A solução depende de uma política que vise qualidade de investimentos. É possível crescer sem descontrolar a inflação, desde que haja um conjunto de políticas fiscal, monetária e cambial'', destaca o professor.
Segundo o site Contas Abertas, desde o lançamento do PAC, em 2007, foram executados somente 28% dos recursos previstos para os projetos e atividades tocados pelo governo federal. Dos R$ 18,8 bilhões liberados para o programa em 2008, foram desembolsados apenas R$ 11,3 bilhões, dos quais R$ 7,5 bilhões correspondem a dívidas de anos anteriores pagas em exercícios seguintes.


