Brasília Pelo segundo dia consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa das atuais taxas de juros estabelecidas pelo Banco Central. Ontem, ele afirmou que apesar dos elevados índices, o consumo cresce e o varejo não foi atingido. ''Eu vejo as pessoas falarem que o aumento da taxa Selic vai diminuir o consumo'', comentou ele, acrescentando que, no entanto ''a verdade nua e crua é que a quantidade de dinheiro que está sendo jogada no mercado não estava prevista nos manuais da ordem econômica deste País''.
Citando erroneamente o valor da taxa de juros básica da economia, que na semana passada subiu para 19,5%, o presidente explicou: ''é por isso que, mesmo com a taxa Selic a 19,25%, o mercado interno continua a crescer, o varejo está crescendo, os supermercados estão vendendo muito porque as pessoas estão tendo possibilidade de acesso a dinheiro que antes não tinham''. Lula se referia às novas modalidades de empréstimos que o governo vem concedendo, como os empréstimos descontados em folha para trabalhadores e aposentados e as linhas de microcrédito para consumo e produção.
A injeção de crédito é apontada por economistas como algo que atua na direção contrária à pretendida pelo Banco Central, quando eleva os juros. O objetivo, quando se sobe a taxa, é justamente inibir o consumo, evitando que pressões inflacionárias se espalhem pela economia. Nesse sentido, as novas linhas de crédito são um dos motivos pelos quais o juro precisa estar alto. Por isso, se diz que há contradição entre a política de juros e a atuação do governo na área de crédito.
Na véspera, Lula já havia justificado juros altos, ao atribuir ao comodismo do consumidor o fato de os bancos cobrarem caro pelo dinheiro que emprestam. Ele disse que os brasileiros deveriam ''levantar o traseiro'' e procurar taxas mais baixas.
As afirmações do presidente foram feitas ontem em mais um discurso de improviso, desta vez para os produtores de café do País. O presidente se declarou ''viciado'' em café, ao ponto de ir dormir com azia devido à grande quantidade ingerida ao longo do dia. ''Eu acho que sou capaz de parar de beber água e não de beber café.'' Em sua fala, Lula, destacou que o Brasil ''é praticamente imbatível'' em algumas áreas do comércio internacional e todos têm de se preparar porque ''temos muito adversários nesta área'' e ''tem muita gente de orelha em pé contra o Brasil''. Segundo ele, ''quando alguém cresce, significa que alguém diminuiu'' e isso gera uma disputa enorme no mercado ''pior do que São Paulo e Corínthians, pior que São Paulo e Palmeiras, Vasco e Flamengo, ou seja, é disputa que, todo mundo sabe, nego pisa na canela mesmo''.
Ao advertir que ''se alguém pensa que tem saída individual para algum produtor ou empresário, pode tirar o cavalo da chuva porque não tem'', o presidente Lula propôs ''um pacto de brasilidade, um pacto patriótico'', para juntar governo e empresários para enfrentar todos os oponentes e concorrentes de forma coesa.

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