Lula: solução política para poupança
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terça-feira, 05 de maio de 2009
Tânia Monteiro e Sérgio Gobetti<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interveio no debate econômico sobre o que fazer com a caderneta de poupança e exigiu uma solução política para o dilema que divide sua equipe no Ministério da Fazenda. De acordo com assessores muito próximos do presidente, ele determinou expressamente que os poupadores sejam protegidos e que o limite inicialmente imaginado para distinguir poupadores e investidores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil seja revisto para cima.
A linha de corte será alta, avisou uma fonte do Palácio do Planalto, acrescentando também que possivelmente os atuais depósitos da caderneta de poupança continuem sendo corrigidos pelas atuais regras para evitar possíveis contestações judiciais, além de desgaste político.
A polêmica sobre a poupança é antiga, mas foi intensificada recentemente em decorrência da queda da taxa de juros, que aproxima os rendimentos dos fundos de renda fixa oferecidos pelos bancos dos rendimentos da poupança.
Atualmente, a poupança é corrigida por uma taxa constante de 6,16% ao ano mais a variação da TR, o que representa pouco mais de 7%. Esse porcentual é inferior à atual taxa Selic (10,25%), mas enquanto aplicações financeiras normais (vinculadas aos juros) são tributadas em até 22,5% no curto prazo, a poupança é isenta.
Dessa forma, um fundo que retorne 100% da Selic proporciona um ganho líquido de 8,20% ao mês. Se a taxa de juros continuar caindo, a poupança será mais rentável do que as outras aplicações.
Na prática, isso acabaria por encarecer a captação de poupança por parte dos bancos. E a poupança é hoje a principal fonte de financiamento do crédito imobiliário. Em geral, os bancos captam o dinheiro a 7% ao ano e cobram, ao emprestar, 12%. Se a poupança continuar com ganho fixo, não há como reduzir a taxa do crédito imobiliário.


