Santiago - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em Santiago, no Chile, que o Brasil ajudará a América do Sul a fazer uma ''revolução'' em suas relações internacionais com outros países do mundo. Essa revolução fortalecerá a posição da região nas negociações comerciais. ''Nós vamos fazer uma pequena revolução na relação internacional da América do Sul'', disse ele ontem no Chile. O presidente participou do seminário ''Como Fazer Negócios com o Brasil''.
De acordo com o presidente, essa revolução poderá ser feita na reunião do próximo ano entre os presidentes da América do Sul e dos países árabes. ''Nós temos a obrigação de convencê-los de que eles podem olhar um pouco para a América do Sul. Aqui tem paz, aqui não tem guerra.''
Segundo ele, os países árabes poderão investir em ''turismo, ferrovia, energia, gasoduto'' na América do Sul. ''Só vai depender da nossa capacidade de vender as coisas boas que nós temos. Nós é que temos que falar bem de nós.''
Lula disse que uma das estratégias do Brasil na área de comércio internacional é buscar a complementaridade na pauta de exportações com grandes potências, como a África do Sul e China. ''Nós não exportamos apenas soja para a China. A China nos empresta o conhecimento que tem no lançamento de foguetes, de satélites, e nós levamos para a China a nossa tecnologia na construção de aviões. Isso pode ser feito com cada país.''
No discurso, Lula avaliou que o Brasil está no caminho para cumprir parte da dívida social acumulada durante tantos anos. ''Nós tomamos a decisão para fazer com que o Brasil tivesse uma ação política para, a partir do Mercosul, reconstruir uma relação forte com a América do Sul e e com o resto do mundo.''
O presidente Lula reconheceu que ''as coisas não estão totalmente resolvidas no Brasil'', mas que o empresário chileno pode investir aqui com segurança. Segundo ele, o País tem dado passos importantes. ''Está numa rota sólida de crescimento econômico e cumprindo parte da dívida social acumulada com o povo brasileiro.
Lula reafirmou, ao discursar no seminário, que uma das prioridades do seu governo é reconstruir uma relação forte com toda a América do Sul. A partir do Mercosul, segundo o presidente, todos os países membros e associados do bloco terão uma política comercial mais desenvolvida. ''Com as fragilidades que ainda temos, com todos os problemas e as simetrias entre as economias dos países, nós achamos que ele (Mercosul) está reconstruído do ponto de vista político''.
O presidente brasileiro anunciou também que em setembro, em sua visita a Nova Iorque, os governos brasileiro e chileno vão discutir com outros presidentes a criação de um fundo internacional para ajudar os países mais pobres a se desenvolver. Lula afirmou que com pouco dinheiro e experiências bem-sucedidas é possível dar cidadania às pessoas menos favorecidas.

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