Buenos Aires - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera pela proposta paraguaia de um preço maior pela energia que a usina binacional de Itaipu fornece ao Brasil, mas antecipou que seu país pode ajudar o vizinho em termos de energia de outras formas, segundo declarações ao jornal argentino El Clarín de ontem.
''Eu já disse ao (presidente paraguaio Fernando) Lugo a mesma coisa que dizia ao Nicanor (Duarte Frutos, ex-presidente paraguaio): mudar o tratado de Itaipu significa fazê-lo passar pelo Congresso, e ele não vai passar. O congresso brasileiro não aceitará discutir esta questão'', afirmou Lula.
O presidente brasileiro recordou que esse tratado, de 1973, dispõe que a produção de Itaipu seja dividida em partes iguais entre os dois países, mas fixa que toda a energia que o Paraguai não utilizar deve ser vendida ao Brasil devido ao fato deste país ter praticamente financiado a obra.
''Vou a esperar que Lugo apresente as exigências paraguaias para conversar o que se pode fazer'', anunciou. ''O Brasil tem que fazer tudo que é necessário para facilitar a vida do Paraguai, um país pequeno.''
O chefe de Estado brasileiro disse não encontrar justificativa para que seus vizinhos, que geram 12.000 megavatts em Itaipu, ''todos os dias tenham apagões em Assunção''.
''O Brasil assumiu o compromisso de fazer uma linha de transmissão financiada pela parte brasileira de Itaipu até Assunção'', recordou, para exemplificar o que seu país pode fazer pelo vizinho em relação à questão.
Lula disse ainda que, no geral, o Mercosul tem um problema energético que só poderá ser resolvido explorando ao máxijo as possibilidades de cada país membro e atuando em comum.
''Por isso analisamos com a Argentina a possibilidade de construir a hidroelétrica binacional de Garabi, que dará 3000 megavatts de energia para repartir entre ambos. E se chegar a fazer frio na Argentina, a totalidade poderá ir para lá'', sugeriu.

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