Lula pede vigor e ousadia para enfrentar crise
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2008
Angela Lacerda<br> Agência Estado 
Recife - A hora é de trabalhar com todo vigor e ousadia. A recomendação foi feita ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na abertura do IX Fórum dos Governadores do Nordeste. Ele pregou ''o máximo de economia em custeio e o máximo de gastos em investimentos com obras públicas'' como forma de induzir a economia e reduzir efeitos da crise.
Nesse contexto, Lula garantiu que não haverá diminuição das obras da Petrobras ''em nem um dólar''. A implantação das refinarias de petróleo do Ceará, Maranhão e Pernambuco serão todas mantidas. ''Vamos continuar fazendo contratos''. Ele observou que poucos países se encontram na situação fiscal do Brasil, daí a necessidade de que o dinheiro disponibilizado não deixe de ser aplicado.
Neste momento, segundo ele, as prefeituras e os governos estaduais e federal podem ser os indutores. ''Vai depender muito da nossa capacidade e ousadia'', reiterou, ao destacar que o crédito será regularizado o mais rápido possível e ao falar da importância do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).
''Precisamos desvendar e tocar obras o mais rápido possível'', afirmou.
''Temos que fazer operação pente fino'', ver os obstáculos que possam emperrar a implantação das obras. Verificar se o problema é o governo federal, a Caixa, o governador que não tem projeto executivo, o Tribunal de Contas, ou o prefeito que não apresentou projeto. ''É hora de trabalhar com todo vigor e ousadia para que dinheiro disponibilizado não deixe de ser aplicado'', reforçou. ''Ademais os Estados adquiriram capacidade de endividamento maior''.
''O que nós queremos é uma coisa sagrada'', afirmou. ''Quando a situação do País era muito vulnerável, os de fora diziam que a gente não podia gastar e o país se retraía, a economia ficava atrofiada''. Lula citou várias vantagens do Brasil. Uma delas: a China tem 40% do seu PIB dependente das exportações; o Brasil apenas 13%. Outra: os Estados Unidos, que representavam 27% das exportações brasileiras, hoje representam 14%, num mundo globalizado, em que o Brasil tem diversificado seus negócios, com países emergentes.
Para ele, o debate sobre a crise com a sociedade é um desafio, diante da forma como a sociedade está recebendo a informação sobre o assunto, levando-a a temer e a não consumir. ''O trabalhador comum que está pensando em comprar um carro e não tem medo de perder o emprego porque é concursado, mesmo assim não compra, na medida em que vê se falar tanto em crise e em desemprego''. ''Mesmo com nível de emprego crescendo''. Ele não sabe - observou o presidente - que se perde o emprego porque não se compra. Desafio nosso: como fazer esse debate com a sociedade.


