Brasília - O governo quer utilizar o poder de fogo dos bancos oficiais para garantir os recursos necessários para financiar o aumento da produção e investimentos em infra-estrutura, no esforço de assegurar o crescimento sustentado da economia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ontem os presidentes dos bancos para pedir maior rapidez na liberação dos recursos, aperfeiçoamento nos procedimentos de análise dos projetos e das linhas de financiamento oferecidas ao empresariado nacional.
Os dirigentes fizeram um relato das atividades dos bancos nos primeiros oito meses deste ano e explicitaram a Lula que, muitas vezes, não se trata de um problema de lentidão, mas sim da necessidade de uma análise dos projetos que obedece a regras que devem ser observadas pelas instituições. ''Cada um fez o seu relato e ao final, ele me pareceu satisfeito, mas falou que espera que os bancos continuem atuando na liberação dos recursos e aperfeiçoando seus procedimentos'', disse presidente em exercício do Banco do Nordeste, Pedro Eugênio Cabral.
Lula insistiu que os bancos ''poderiam ajudar a sustentar o crescimento econômico ampliando as linhas de financiamento'', disse Cabral. ''O presidente pediu que os bancos realmente atuassem fortemente como alavancadores do financiamento da produção, no momento em que as condições para o País crescer estavam dadas.''
Na reunião, o presidente ressaltou a necessidade de novas linhas de financiamento para o setor produtivo e para obras de infra-estrutura, respeitando-se a vocação de cada instituição.
O BNDES, por exemplo, comentou Lula, deve atuar na área de grandes projetos. O Banco do Nordeste, no financiamento de produção, de projetos privados e no setor agrícola. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, deve se empenhar em agilizar a liberação de recursos para atender às necessidades de financiamento habitacional e de obras de saneamento público. ''O Banco do Brasil atuando com o varejo, área em que é fortíssimo'', disse.
O presidente do BNDES, Carlos Lessa, foi direto ao assunto. Informou ao presidente que o banco espera aplicar este ano R$ 48 bilhões. Até agora, foram liberados R$ 24 bilhões. ''Os meses finais do ano é que têm um volume maior de desembolso, eu diria que a instituição cumprirá rigorosamente seu orçamento'', garantiu. ''Eu pude comunicar ao presidente alguns indicadores interessantes. As consultas ao BNDES este ano, comparado com igual período do ano passado, cresceram 145%, comentou após o encontro com Lula.
Segundo ele, as operações que entram em análise no banco cresceram 98% em relação a igual período do ano passado. ''Aprovados nós já temos 38% a mais do que o mesmo período do ano passado e desembolsamos 43%. Esses indicadores mostram que do ponto de vista de um banco de desenvolvimento a economia está progressivamente se aquecendo.''

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