Lula: 'O Estado é o salvador da pátria'
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Costa do Sauípe - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, no encerramento da Cúpula da América Latina e Caribe (Calc), que os países da região, para enfrentar a crise financeira internacional, devem reforçar a intervenção do Estado na economia e não devem optar pelo ajuste fiscal. ''O Estado, que não valia nada, passou a ser o salvador da pátria'', disse Lula, referindo-se às medidas adotadas pelos países desenvolvidos e por nações latino-americanas que vêm investindo dinheiro do Estado em bancos privados e no setor produtivo.
Segundo o presidente, o Estado deve ter um papel cada vez mais relevante, neste momento, em investimentos em infra-estrutura, no setor habitacional e em todos os que geram empregos. A crise financeira internacional dá uma oportunidade, na avaliação de Lula, para o mundo definir o modelo econômico que pretende adotar.
Em uma crítica a países da Europa e aos Estados Unidos, Lula afirmou que os recursos que eles injetaram na economia ''não chegou à ponta'', porque não foi destinado à produção, e sim ''para salvar o sistema financeiro da quebradeira''.
Lula cobrou do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (Bird) e do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentem periodicamente uma ''prestação de contas de até onde e até quando vai a crise.'' ''Alguma coisa está errada'', acrescentou, ''quando as pessoas tiram o dinheiro do meu país, que tem o maior juro do mundo, para pôr nos Estados Unidos.''
Cuba
Lula afirmou que, mesmo que nenhum resultado tivesse sido alcançado nas quatro reuniões de cúpula da América Latina e do Caribe nos últimos dois dias, valeu a pena o ingresso de Cuba no Grupo do Rio, que a partir de hoje conta com 19 sócios.
O Grupo do Rio é um mecanismo de consultas políticas entre os países da América Latina e do Caribe, criado em 1986, no Rio de Janeiro. Funciona como um canal para a diplomacia presidencial entre os Estados integrantes.
Lula fez uma crítica ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sem mencionar seu nome. Afirmou que é ''inusitado'' o fato de Cuba ter sido admitida: ''Porque os que presidiram nossos países antes de nós não tiveram coragem de colocar Cuba no Grupo do Rio.''
O presidente brasileiro afirmou que os países da América Latina e do Caribe devem, neste momento de mudança de governo nos Estados Unidos, exigir de Barak Obama a realização de uma discussão política para saber o tipo de política que adotará em relação à América Latina. ''Nós não queremos mais uma 'Aliança para o Progresso', como o Brasil teve nos anos 1960'', declarou Lula.''
Surdos e cegos
Lula insistiu em que a região não pode esperar que ''um belo dia seja chamada para uma conversa com Obama.'' Este é o momento, segundo o presidente brasileiro, para os EUA levantarem o bloqueio econômico a Cuba e recomporem as relações políticas com a Venezuela.
Na avaliação de Lula, a região passou ''séculos'' sem que seus países construísse algo em comum e até mesmo sem conversarem entre si. A partir de agora, disse, essa situação começa a mudar, de forma lenta, mas segura: ''Éramos um continente de surdos, que não nos enxergávamos. (sic)''


