Brasília - O governo lançou ontem o Primeiro Emprego com muita festa e pouco dinheiro. O programa só começa pra valer quando a União repassar para as empresas dinheiro para pagar o salário dos jovens de 16 a 24 anos, o que deverá ocorrer, na hipótese mais otimista, em 60 dias. Isso porque o governo decidiu criar o programa por meio de projeto de lei e a tramitação nas duas Casas, Câmara e Senado, em uma projeção otimista, vai levar dois meses.
O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, disse que o governo ainda não fez nenhum acordo para agilizar a tramitação do programa e por isso dois meses é o tempo previsto. Já José Sarney, presidente do Senado, afirmou que, caso haja um acordo, a aprovação poderá levar menos tempo: até 45 dias.
Antes de colocar o programa na rua com recursos do Orçamento, o governo tomou algumas medidas para agilizar a criação de empregos: 39 empresas privadas, públicas e entidades (sindicais e empresariais) já colocaram à disposição do governo 6.543 vagas para jovens carentes que independem de contrapartida do governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai entrar num corpo-a-corpo com empresários, convidando-os para jantar no Palácio do Alvorada e visitando-os em suas viagens pelo Brasil, para tentar elevar o atual número de postos de trabalho sem contrapartida orçamentária. O governo chama isso de ''responsabilidade social das empresas''.
A meta do Primeiro Emprego (com contrapartida do governo) é gerar 260 mil empregos em 12 meses. Para este ano, trabalha-se com uma meta mais tímida, compatível com o orçamento de R$ 140 milhões, cujo pedido de crédito foi enviado ontem ao Congresso por meio de projeto de lei. Para empregar 260 mil jovens serão necessários R$ 351 milhões. Esses recursos também financiarão pequenas linhas de crédito para jovens que quiserem montar seu próprio negócio ou para fazer projetos comunitários.
O presidente Lula pediu aos governadores empenho para que o programa tenha sucesso. Todos assinaram convênio de cooperação com o governo federal: ''É plenamente possível chegar a 500 mil (vagas)'', disse o presidente, ao falar que isso dependerá do empenho dos governadores, prefeitos e empresários.

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