Angra dos Reis - Símbolo da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e primeira plataforma de petróleo a ser construída com exigência de compras no Brasil, a P-52 foi entregue ontem à Petrobras com um preço cerca de 20% maior do que o estimado no início da obra. Segundo o gerente-executivo de engenharia da estatal, Pedro Barusco, as obras consumiram US$ 1,1 bilhão, contra os US$ 906 milhões constantes do contrato assinado em dezembro de 2003.
Em entrevista antes da cerimônia de batismo da plataforma, a direção da companhia negou, porém, que a decisão de construir a unidade no País tenha causado a alta de custos. ''Foram três fatores: pequenos ajustes no projeto, variações cambiais e a alta nos preços do aço'', afirmou o executivo, para quem a indústria naval brasileira já tem condições de competir com estaleiros internacionais. ''Não é verdade que seja mais caro no Brasil. Na verdade, é mais barato'', disse. ''É muito melhor estarmos aqui discutindo em português. Antes, tínhamos questões na corte de Londres, gastávamos fortunas com advogados para discutir detalhes como termos em inglês nos contratos'', acrescentou o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella.
Construída pelo estaleiro Brasfels, em Angra, a P-52 ficou com um índice de nacionalização de 76%. O projeto chegou a ser licitado ainda na gestão tucana, em conjunto com a P-51, e seria levada para o exterior. Em seu primeiro programa eleitoral, Lula veio ao estaleiro Brasfels (na época ainda chamado de Verolme) criticar a decisão. Após a vitória em segundo turno, pediu a suspensão da concorrência para que a nova gestão elaborasse novos contratos com o compromisso de compras de bens e serviços no Brasil.
A P-52 teve seu casco construído em Cingapura, mas, pela primeira vez, a estrutura foi integrada no País. Já a P-51 teve seu casco construído em Angra e na Nuclep, em Sepetiba, fato inédito na indústria naval brasileira. A P-52 deve iniciar as operações na primeira quinzena de setembro, com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo e 9 milhões de metros cúbicos de gás natural no campo de Roncador, na Bacia de Campos.

mockup