Lula firmará novos acordos com Uruguai
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domingo, 25 de fevereiro de 2007
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levará hoje ao Uruguai sua política de ''generosidade'', com claro interesse de aquietar o mais insatisfeito sócio do Mercosul. A visita, devida desde 2006, dará ao presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, a chance de ver seus pleitos atendidos pelo governo brasileiro, de receber uma onda de capitais em seus parques produtivo e energético e de fechar um acordo bilateral de comércio e investimento. Nas pouco mais de seis horas de permanência no Uruguai, Lula, em contrapartida, terá a oportunidade de arrancar do governo Vázquez alguma garantia de que não embarcará na negociação de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos após a visita oficial a Montevidéu de George W. Bush, no próximo dia 9.
A estratégia certamente custará ao Brasil seu envolvimento na chamada guerra das papeleiras, disputa entre Uruguai e Argentina pela instalação de uma indústria de celulose na fronteira dos dois países. Vázquez receberá Lula e sua delegação na Estância de Anchorena, residência de campo da presidência uruguaia no sul do país, próxima à área que motivou o ''conflito'' com os argentinos.
A visita será simultânea aos primeiros testes do maquinário da fábrica da finlandesa Botnia, o motor do conflito. Ocorrerá ainda a apenas dez dias da festejada assinatura, por Vázquez e Bush, do Acordo de Facilitação de Comércio e Investimentos entre o Uruguai e os EUA - acerto de efeito reduzido, mas visto por parte do governo uruguaio como embrião de um Tratado de Livre Comércio (TLC).
''O objetivo do Brasil será reverter o desencanto do Uruguai com o Mercosul, manter o processo de integração e permitir que todos os sócios tenham a percepção de que há equilíbrio nos benefícios gerados pelo bloco'', disse o diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, embaixador Ênio Cordeiro. ''Se puder ser útil e facilitar os entendimentos, o Brasil estará à disposição'', completou, referindo-se às papeleiras.
Balança - As queixas do Uruguai são conhecidas, se avolumam há mais de quatro anos e estão estampadas na balança comercial bilateral. Em 1998, o Uruguai exportou para o Brasil US$ 1,42 bilhão - a maior cifra histórica. O Brasil importou US$ 880,6 milhões em produtos uruguaios, o que rendeu ao vizinho um superávit de US$ 161,5 milhões. Desde então, as compras brasileiras despencaram. Só voltaram a crescer em 2006, quando chegaram a US$ 618,2 milhões. O saldo comercial, entretanto, foi negativo em US$ 387,9 milhões por conta do recorde de US$ 1,006 bilhão em exportação brasileira ao vizinho.
Os uruguaios queixam-se de legislações do Rio Grande do Sul e de controles federais, que atrapalham exportações de arroz e outros itens para o Brasil. Alegam que os órgãos reguladores brasileiros atuam em duplicidade e reclamam da tributação sobre serviços prestados no exterior - fato que inviabiliza o conserto, em estaleiros uruguaios, de navios da Petrobras. Segundo Cordeiro, há boa vontade do governo brasileiro em resolver essas questões. Mas a tarefa não é nada simples.


