Brasília - O pacote de ajuda do governo ao setor agrícola, em crise desde o ano passado, teria um impacto de R$ 6 bilhões nos cofres públicos entre renúncias fiscais e aporte de recursos. Entretanto, as negociações sobre as medidas que serão efetivamente implementadas pelo governo poderão ser fechadas em cifras menores.
Oficialmente o governo não fala em valores, mas o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues disse ontem que não só o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mas também os ministros Antônio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) estão conscientes da necessidade de medidas para evitar um agravamento ainda maior da crise no setor.
Após reunião com Lula no Palácio do Planalto hoje, o ministro informou que o presidente irá convocar uma reunião para discutir o assunto na próxima semana. Além de Rodrigues, Dilma e Palocci, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também deverá participar da discussão.
''O governo tem clara consciência de que a crise agrícola é realmente aguda. Não há mais o que convencer. Está todo mundo convencido, informado com riqueza de detalhes'', disse Rodrigues ao comentar que em 2005 o governo demorou a reagir à crise enfrentada pela agricultura.''No ano passado, nós tivemos uma demora muito grande para as decisões serem tomadas'', afirmou.
Ele não antecipou como o governo irá socorrer o setor, mas destacou como essenciais medidas para recuperar a renda do produtor e renegociar suas dívidas, pois a situação atual ''inibe a adimplência''.''A conta não fecha. A verdade é essa'', disse Rodrigues ao destacar que o governo estuda medidas de apoio à comercialização e um programa de revisão de dívidas.
Ao comentar o impacto da valorização do real na agricultura, ele lembrou que os produtores compraram insumos com um dólar custando R$ 3,20 ou R$ 3,30 no ano passado e venderam a produção com um câmbio de R$ 2,60. Ao invés da reversão no câmbio, como se esperava, o dólar continua caindo, e já está próximo de R$ 2,10, o que preocupa os produtores e o governo com relação à comercialização da safra.
O governo também estuda a redução de tarifas de importação de insumos, redução de PIS e Cofins para alguns produtos, mas o ministro da Agricultura admite que a desoneração tributária é o ponto mais complicado das negociações. Também está na pauta do governo a possibilidade de incorporar no programa de biodiesel o combustível produzido a partir da soja na região Centro-Oeste.
Demissão- O ministro evitou comentar sobre os boatos de que estaria se preparando para deixar o governo. O ministro reconheceu que ''o céu caiu'' na sua cabeça com os juros altos, a crise na pecuária por causa da febre aftosa, o avanço da gripe aviária no mundo e a seca que afetou a agricultura.''A renda caiu brutalmente. O céu caiu na minha cabeça mesmo. Agora estamos trabalhando para que botar o céu no lugar dele, e o próximo ministro que vier depois de mim vai estar no céu'', afirmou. Segundo Rodrigues, o próximo ministro deverá estar no ''céu'' a partir de meados do ano que vem.

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