Lula e Kirchner anunciam aliança para salvar Mercosul
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terça-feira, 17 de junho de 2003
Agência Estado 
Assunção O desgaste que sofreu o Mercosul com a desvalorização do real, em janeiro de 1999, e com a crise econômico-financeira argentina, entre 2001 e 2002, está levando o Brasil e a Argentina a tentarem salvar o bloco por meio de uma ''aliança bilateral estratégica'', que deverá ser anunciada oficialmente hoje, durante a reunião de cúpula do bloco.
A idéia desse acordo, que já tem aval dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, do Brasil e da Argentina, respectivamente, é dar a maior velocidade e dinamismo à relação econômico-comercial dos dois países e outra menor aos outros dois parceiros, o Uruguai e o Paraguai, que nunca se cansaram de reclamar da supremacia das duas maiores economias do bloco.
O vice-ministro uruguaio de Relações Exteriores, embaixador Guillermo Valles, disse que o Uruguai vê com bons olhos a proposta brasileira e argentina. ''Vamos analisá-la melhor, já que soubemos disso apenas por meio do comunicado conjunto dos dois países na semana passada''. Antes, acrescentou o embaixador, ''precisamos discutir outros assuntos que estão em primeiro lugar''. Valles se referiu à proposta de flexibilização da Tarifa Externa Comum (TEC) que os governos uruguaio e paraguaio vão pedir na reunião de cúpula.
O embaixador lembrou que é necessário também aperfeiçoar a zona de livre comércio entre os quatro países e os instrumentos que garantam maior e melhor mercado para cada membro, além de uma concorrência sem distorções. Traduzindo: uruguaios e paraguaios querem mesmo maior espaço para seus produtos nos mercados brasileiro e argentino e menos concorrência em seus mercados.
O ministro de Relações Exteriores paraguaio, José Antonio Moreno Rufinelli, declarou, por exemplo, que o futuro econômico de seu país depende de um ''tratamento diferenciado'' por parte do Brasil e da Argentina. Ele disse que, além de o Paraguai ser o país com o menor desenvolvimento econômico e industrial, também não tem acesso ao mar, condições que, de acordo com ele, impõem desvantagens efetivas para integrar-se plenamente ao bloco.
Apesar disso, Rufinelli também se mostrou entusiasmado com a possibilidade de o Brasil e Argentina criarem a ''aliança estratégica''. ''A esperança é que essas duas economias cresçam, e cresçam bem, para puxarem os outros dois países'', afirmou.
Para o chanceler paraguaio, só assim será possível alavancar a economia de seu país. Do total das exportações do Mercosul em 2002, os paraguaios ficaram apenas com 1,1% da fatia do mercado. Os uruguaios também não ficaram muito atrás, com apenas 2% do bolo das exportações do bloco.
Já o Brasil foi responsável por 68,2% das vendas externas e os outros 28,7% couberam à Argentina. As diferenças em termos comercias, porém, não param por aí. O Paraguai depende perigosamente, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), do Brasil, da Argentina e do Uruguai. Os três países concentram quase 60% das exportações totais paraguaias, que somam menos de US$ 1 bilhão por ano.


