Lula e Alckmin mexem pouco com o mercado
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sábado, 14 de outubro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A economia brasileira não deve ter grandes sobressaltos independente de quem seja escolhido para ocupar o cargo de Presidente da República. A previsão dos analistas de mercado é que no início do ano, câmbio, bolsa e juros tenham um pouco de volatilidade. Os grandes desafios que o novo presidente terá pela frente serão cortar gastos para reduzir a dívida pública, investir em infra-estrutura, trabalhar pelo crescimento da economia, baixar juros, e realizar as reformas fiscal, tributária, previdenciária e política.
A Folha ouviu três analistas de mercado para saber como seria o cenário da economia para 2007 com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de Geraldo Alckmin (PSDB). Além disso, os especialistas traçaram um perfil de quais serão os principais desafios do próximo presidente.
Para o professor da Fundação Instituto de Administração de São Paulo (FIA) e consultor na área de finanças, Ricardo Rocha, o candidato tucano Geraldo Alckmin sai fortalecido do processo eleitoral, derrotado ou não. Caso Lula seja eleito, mostra que tem apoio de boa parte da população mas vai ser muito cobrado na questão ética.
''Na política econômica que envolve juros e responsabilidade fiscal, nenhum dos dois vai fazer grandes mudanças'', disse. Alckmin pretende atrair capitais para infra-estrutura através de investimento privado. Lula quer acelerar as Parcerias Público-Privadas (PPPs). ''O efeito prático acaba sendo o mesmo'', disse.
Para ele, independente de quem for eleito, seria necessário mexer nos gastos públicos para acelerar o crescimento da economia e minimizar a dívida pública. Os juros ainda têm espaço, segundo ele, para cair na casa de 13% em 2007. Para o dólar, Rocha não vê razões para grandes pressões.
O diretor da SM Consultoria Econômica, Sérgio Martenetz, acredita que, Lula, se eleito, deve manter a mesma linha em relação a economia. Vai tentar baixar as taxas de juros para melhorar a atividade produtiva. Ele acredita que Lula vai aumentar os gastos de natureza social e, para isso, é possível que aumente impostos. Ele prevê que Lula não mexa nas reformas tributária, previdenciária e política.
Martenetz acha que Alckmin vai tentar baixar juros, ter retorno dos programas sociais, fazer a reforma tributária, cortar gastos improdutivos do governo e criar uma política diferente de relacionamento com o mercado internacional.
Ele acredita que, no começo de 2007, pode haver turbulência de natureza política. Martenetz prevê que no começo do governo os investidores internacionais vão ficar um pouco afastados do Brasil. Ele prevê que depois de dois ou três meses, a turbulência deve passar. Deve haver no início do ano um pouco de volatilidade dos mercados que incluem bolsa, juros e câmbio. Mas, não deve ocorrer uma disparada do dólar porque agora os fundamentos da economia estão melhores e são mais conhecidos pelos investidores internacionais.
Seja quem for o novo presidente, é difícil ter alguma mudança grande na economia. A afirmação é do economista chefe da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, Alex Agostini. Ele disse que, se Lula for eleito, vai ter que recuperar o desgaste da imagem com empenho forte em ''costura política''. ''Com Alckmin a situação é um pouco diferente, porque o risco de aparecer algo envolvendo ele com corrupção é menor. Para o mercado isso acaba sendo bom e o risco de volatilidade é menor'', disse. Ele destaca que o principal objetivo do novo presidente é o crescimento da economia.
Para 2007, Agostini não acredita em risco de crise. Ele prevê que os juros devem cair, a inflação deve continuar sob controle e o câmbio pode subir um pouco atingindo a marca de R$ 2,30. ''O emprego e a renda não terão em 2007 um ano para disparar'', disse.


