Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o tratamento diferenciado que os bancos públicos dispensaram, nos últimos anos, a pobres e ricos, deixando parte da sociedade nas mãos de agiotas. ''Se pegar as listas das dívidas dos bancos públicos que foram privatizados neste País, você vai perceber que não tem nenhum pobre'', afirmou Lula, na solenidade de entrega do cartão nº 500 mil da conta ''Caixa Aqui'' (da Caixa Econômica Federal).
''Quem deve ao banco normalmente é uma parte mais aquinhoada, que teve acesso a juros e dinheiro que pobre não conseguiu ter'', disse. Lula afirmou, ainda, que muitas vezes o único patrimônio de uma pessoa é seu nome e, por isso, os pobres costumam honrar seus compromissos bancários. ''Só o Estado brasileiro não havia percebido isso ainda porque, de certa forma, desconfiava do povo e levava, dos grandes, calotes milionários, tombos de milhões de reais, e não emprestava R$ 200, R$ 300 ou até R$ 500 para pessoas mais pobres.''
Na avaliação do presidente, a inclusão bancária é tão importante quanto o crescimento econômico. ''Em economia, não existe panacéia, truque ou carta na manga'', disse. ''O que existe é o comopromisso do governo de promover justiça social e democratizar as oportunidades.''
Segundo o presidente, a expansão do microcrédito e mais facilidades de acesso para pessoas de baixa renda aos serviços bancários ''são coisas pequenas porque não mexem com a classe média e com a gente que trabalha com bancos''.
Lula disse também que a inclusão bancária contribui para pôr um fim à ''vergonhosa concentração de renda'' da sociedade. ''Se 10% da população detêm 50% da riqueza, os bancos se acomodam e se detêm no filé mignon'', afirmou.

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