Lula destaca que acordo com FMI é decisão política
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Agência Estado 
Nova York O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não foi o Fundo Monetário Internacional (FMI) que determinou a meta de superávit primário de 4,25% para o Brasil. ''Essa foi uma meta que o próprio governo fixou, é uma decisão do governo, não é uma decisão do FMI'', afirmou.
Lula disse que o Brasil não tem de, necessariamente, fazer um acordo com o FMI. ''Não precisamos renovar o acordo com o FMI. Nós só o faremos se houver como tirar alguma vantagem para o Brasil. Portanto, nós estamos tranquilos, não estamos com nenhum sufoco. O Brasil está a cavaleiro (por cima) para chegar ao FMI e dizer: não queremos acordo, não vamos renovar e está bom'', afirmou. Ele voltou a reiterar que não é necessário o Brasil fazer acordo com o FMI. ''É uma decisão política que nós vamos tomar no momento certo'', disse.
Questionado sobre se haveria possibilidade de negociar uma queda no superávit primário, o presidente disse que o superávit não tem nada a ver com um acordo com o FMI. ''O superávit é um problema nosso'', afirmou.
Ele disse que o governo não precisa reduzir a taxa de juros de forma abrupta para depois ter de aumentá-la outra vez. O presidente lembrou na entrevista aos jornalistas que, em sua posse, afirmou que faria primeiro as coisas necessárias e depois as possíveis.
''As coisas têm prazo para ir acontecendo. A taxa de juros vai continuar caindo. A economia do Brasil vai continuar a crescer. Mas, quando tomamos determinadas medidas, elas não se refletem no dia seguinte. Quisera Deus que fosse assim'', afirmou.
Lula lembrou que, de junho até agora, o governo anunciou mais de R$ 4 bilhões para o microcrédito, fez acordos para financiamento de geladeiras e fogões e outras para facilitar empréstimos para trabalhadores. Tudo isso leva alguns meses de maturação, para que esse dinheiro comece a entrar em circulação. ''Estou convencido de que a economia brasileira entrou em uma rota de crescimento, que não retrocederá mais'', afirmou. ''A coisa tem de ser feita com muita tranquilidade.''
Indagado sobre quando ele acha que o desemprego estará menor no Brasil, Lula disse estar confiante que a taxa diminuirá no final do ano. ''Estamos entrando em uma época em que cresce o emprego, cresce o comércio, cresce o consumo em todos os países. E, no Brasil, não será diferente. Estamos em um trimestre em que vamos colher o que plantamos há oito meses. O que precisamos é não ficarmos nervosos'', afirmou.


