Lula descarta reforma ministerial
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segunda-feira, 03 de novembro de 2003
Lourival Sant'anna<br> Agência Estado 
São Tomé - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou ontem a possibilidade de uma reforma ministerial imediata. ''Eu não estou anunciando reforma ministerial'', afirmou, ao responder a uma pergunta sobre a comitiva que trouxe a São Tomé e Príncipe, no Palácio do Povo. ''Indiquei os meus ministros quando eu quis e desindico quando quiser. Essa preocupação não é a minha preocupação.'' ''Os ministros que estão viajando comigo são meus ministros. Vão viajar comigo até o momento em que eu decida fazer mudanças no ministério'', continuou, reagindo à observação de que, entre os nove ministros e dois secretários, estavam alguns que são alvos de especulações sobre demissão.
''Da mesma forma que os indiquei, posso afastar qualquer um desses ministros.'' ''Só não posso afastar eu e o (vice-presidente) José Alencar. O restante, todos poderemos afastar'', reiterou.
''Quando eu tiver de pensar em mudança de ministro, prefiro estar em Brasília, no meu gabinete ou na minha casa, com um conjunto de companheiros do próprio governo, com aliados políticos, decidindo se vamos ou não fazer as mudanças que precisam ser feitas. Por enquanto, não estou precisando fazer isso.'' Lula falou depois da assinatura de sete acordos de cooperação nas áreas de saúde, educação, agricultura, esportes e petróleo.
Entre os integrantes da comitiva, que chegou ontem, às 8h45, a São Tomé e Príncipe (10h45 em Brasília), estão os ministros da Saúde, Humberto Costa; da Educação, Cristóvam Buarque; extraordinário da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano; dos Esportes, Agnelo Queiroz; da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva; da Cultura, Gilberto Gil; da Ciência Tecnologia, Roberto Amaral, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. Também vieram os secretários de Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e da Aquicultura e Pesca, José Fritsch.
De acordo com Lula, estava prevista a vinda do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, a Angola, a segunda escala nesse giro de uma semana por cinco países da África, mas o presidente pediu que ele ficasse ''porque tem coisas para fazer no Brasil''.
Vieram os que assinariam acordos com os países visitados. Segundo Lula, ministros como o da Saúde e da Educação devem visitar ''não a Europa, mas países mais carentes'' que o Brasil, ''na América Latina e na África'', onde os brasileiros podem ser úteis.
O presidente admitiu o caráter predominantemente ''assistencialista'' da missão a São Tomé e Príncipe. ''Não é pouca coisa cuidar de assistência social num mundo que necessita de assistência'', justificou Lula, sob aplausos do presidente de São Tomé, Fradique Menezes, e de seus ministros.
Os acordos firmados ontem incluem a ampliação dos programas Bolsa-Escola e Alfabetização Solidária, que estão em execução desde 2002 em São Tomé e Príncipe, um dos países mais pobres da África, com recursos provenientes do perdão da dívida.
Segundo Graziano, São Tomé e os outros países que serão visitados demonstraram interesse em saber mais sobre o programa Fome Zero. Em São Tomé, algumas lavouras extensivas de cacau, base da economia da ilha, estão sendo substituídas por cultivos de hortaliças, como parte de um programa de reforma agrária que converteu 15 grandes fazendas estatais em 9 mil propriedades pequenas e 140 médias.
O presidente e comitiva decolaram às 17h25 (15h25 em Brasília) para Luanda, onde permanecem hoje e amanhã. Depois, seguem para Moçambique, Namíbia e África do Sul.


