Lula defende incentivos para montadoras
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, durante visita à fábrica da General Motors em São Caetano do Sul, no ABC paulista, a adoção de incentivos especiais para a indústria automobilística por considerar ser um setor de ponta da economia, gerador de tecnologia, empregos e mão-de-obra qualificada.
Segundo Lula, no período em que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros foi reduzido em 3 pontos porcentuais (de agosto a fevereiro), para ajudar a vender carros encalhados, o Estado não perdeu nada. ''Porque se deixou de entrar um centavo no caixa do Estado, deve ter entrado muito mais por conta do emprego e dos salários que os trabalhadores continuaram recebendo, sem ter de ser dispensados.''
A direção da GM aproveitou a visita de Lula - que participou da entrega de 305 veículos adquiridos pela Polícia Rodoviária Federal - para defender a alíquota única de IPI para todos os carros e apoio especial aos carros bicombustíveis. Com isso, a montadora, segunda no País em vendas de automóveis e comerciais leves, reforça seu isolamento em relação às demais empresas e à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), contrárias a essas medidas.
Segundo o vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, a uniformização do IPI evitaria a distorção do mercado com o contingenciamento do consumidor, via benefício fiscal, para só um modelo de carro. ''Quem tem de escolher o veículo livremente é o consumidor e não o sistema fiscal em vigor'', afirma. Hoje, carros de luxo têm alíquota de 25%, médios de 15% e populares, responsáveis por mais de 60% das vendas, de 9%.
Na visão de outros fabricantes, uma aproximação das alíquotas elevaria o preço dos populares, pois dificilmente o nivelamento seria pelo índice menor. ''Aumentar o consumo, a produção, os empregos e manter a arrecadação só é possível com carros mais baratos por causa do perfil de renda dos brasileiros'', defendeu a Fiat.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, o País tem de apostar no que faz de melhor - carros pequenos. ''O que gera emprego é a escala de produção.'' Segundo ele, não há reunião marcada entre dirigentes do setor e governo para discutir um novo acordo automotivo, embora Lula, há duas semanas, tenha manifestado interesse no assunto. Divergências entre as montadoras emperram o debate.


