Lula critica na África os ajustes do Fundo
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Lourival Sant'anna<br> Agência Estado 
Maputo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil não fará um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que prejudique o crescimento do País. Lula criticou o FMI, dizendo que os ajustes fiscais que o Fundo impôs aos países não deram certo. Reiterou que o Brasil não precisa de dinheiro do FMI - nem da última parcela de US$ 8 bilhões do acordo passado, que vence em dezembro - e só fará acordo se for sobre novas bases.
As declarações de Lula chegaram a jogar água fria no mercado financeiro e mostraram que o anúncio feito na terça-feira pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, dando como certo o fechamento de um novo acordo com o FMI, foi, no mínimo, precipitado. ''Se houver um acordo, será em dezembro, não agora. Até porque eu tenho de voltar ao Brasil para conhecer as propostas técnicas. Não é possível haver acordo com o presidente da República em Moçambique'', afirmou Lula.
''Se o Brasil se dispuser a fazer um acordo preventivo, o FMI precisa mudar de comportamento'', avisou Lula, em entrevista coletiva ao lado do presidente de Moçambique, Joaquim Chissano. ''Não é mais necessário ficar exigindo que nenhum país faça ajuste fiscal, mas que os países assumam o compromisso, nos acordos com o FMI, da retomada do crescimento e do desenvolvimento econômico. Até porque o ajuste fiscal foi fracassado na maioria dos países.''
Em viagem de uma semana por cinco países da África, Lula conversou na noite de terça-feira com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, sobre a visita de ontem da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger. O presidente disse ter telefonado para o ministro quando soube que os jornalistas lhe perguntariam sobre o eventual novo acordo com o Fundo.
Segundo Lula, o que os países precisam é de voltar a crescer, e essa deve ser a base de qualquer acordo. ''Não haverá acordo impeditivo de crescimento da nossa economia'', garantiu. Ele não quis adiantar especificidades técnicas, como uma eventual redução da meta de superávit primário (receita menos despesas, sem contar os juros da dívida) de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) e a inclusão ou não dos investimentos das estatais nesse cálculo, como ocorre atualmente.


