Foz do Iguaçu - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou os competidores internacionais, sobretudo os considerados grandes, durante discurso ontem, em Foz do Iguaçu, quando foi assinado protocolo para análise de viabilidade técnica na construção de um alcoolduto de 920 quilômetros entre Campo Grande (MS) e o Porto de Paranaguá. ''Temos que ser cada vez mais profissionais e ter cartão de credibilidade social para fazer frente às intrigas que estão fazendo contra o Brasil no exterior'', conclamou.
Segundo ele, quando um país ainda é insignificante, do ponto de vista da balança comercial, ninguém se incomoda. ''Quando o país passa a ser competitivo com as grandes potências do mundo nós começamos a ser vítimas de ataques'', afirmou. ''É o que acontece agora na área de biocombustíveis, porque todo mundo sabe que o Brasil será invencível nessa disputa, porque temos terra, água, tecnologia e 30 anos de acúmulo de conhecimento.''
Irritado, Lula disse que os Estados Unidos e a União Européia não colocam nenhuma barreira na questão do petróleo, mas sobretaxam o álcool brasileiro. ''Eles que são os defensores do livre comércio, desde que seja para vender os produtos deles'', ressaltou. Segundo ele, os dois argumentos mais colocados são os de que a produção de álcool utiliza trabalho escravo e tira espaço de alimentos. Mas, de acordo com o presidente, o trabalho na cana não é mais penoso que o de trabalhadores de minas de carvão que fizeram da Europa uma potência. Segundo ele, o Brasil tem apostado na produtividade, o que demonstra que não há risco na produção de alimentos.
Retomando as comparações futebolística, ele ressaltou que o Brasil não é mais um jogador perna-de-pau. ''O Brasil está virando craque em muita coisa'', afirmou. ''Por isso precisamos tomar cuidado com os discursos que fazemos aqui dentro porque terão repercussão no exterior.'' Segundo Lula, os bancos internacionais viviam dando palpites sobre o Brasil. ''Jovens de 30 anos, 29 anos, 18 anos, tudo especialista em finanças internacionais'', destacou. ''Agora, quase todos eles levaram uma bordoada com a crise imobiliária americana, passaram tanto tempo dando palpite sobre países pobres que não cuidaram de si próprios.''
Alcooduto
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e os governadores de Mato Grosso do Sul, André Pulcinelli, e do Paraná, Roberto Requião, assinaram ontem o termo de cooperação, com a finalidade de desenvolver os estudos de viabilidade para a execução da obra. De acordo com comunicado da estatal, o estudo analisará o escoamento da nova produção de etanol dos dois Estados para o mercado de exportação, por meio de um alcoolduto com cerca de 920 km de extensão, desde Campo Grande até o Porto de Paranaguá. O relatório final do projeto deve ficar pronto em 90 dias.

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