Lula convoca reunião de emergência em Brasília
Genebra - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza hoje de manhã, em Brasília, uma reunião de emergência para tratar da decisão da Bolívia de nacionalizar os campos de petróleo e gás. As informações são do Itamaraty, que será representado no encontro pelo ministro interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
A crise em La Paz ainda exigiu que o chanceler Celso Amorim abandonasse uma reunião em Genebra com os mais altos representantes de Comércio dos Estados Unidos. Amorim está na Suíça para reuniões sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC), mas considera retornar ao Brasil antecipadamente ainda hoje diante da situação na Bolívia. A agenda inicial de Amorim previa reuniões em Genebra com o G-20, grupo de países emergentes, com ministros do Japão e mais uma vez com os americanos.
O chanceler estava em um jantar na embaixada americana em Genebra quando soube dos eventos. O encontro era o primeiro entre o Brasil e a futura representante de Comércio da Casa Branca, Susan Schwab, e tinha como objetivo tentar superar as diferenças entre os países nas negociações comerciais em plena crise. Ao retornar à casa do embaixador brasileiro em Genebra, Amorim passou pelo menos 30 minutos ao telefone com o embaixador do Brasil em La Paz, Antonino Mena Gonçalves, que explicou ao ministro a situação.
Amorim ainda conversou com Samuel Pinheiro Guimarães, que além de ser secretário-geral do Itamaraty, foi enviado por Amorim na semana passada à Bolívia para tratar exatamente do tema do petróleo e gás.
Amorim então ligou para Lula para relatar as informações que havia obtido de La Paz. Ficou estabelecido que o presidente convocaria uma reunião para as 9 horas da manhã desta terça-feira com a presença do ministro de Minas e Energia, com o presidente Petrobrás, além do ministro interino das Relações Exteriores. ''O assunto está sendo considerado com a natural seriedade que se exige'', afirmou Amorim por meio de sua assessoria.
O chanceler ainda afirmou que qualquer outro comentário sobre a crise seria dado apenas depois da avaliação que o presidente faria na reunião de hoje. Mas no Itamaraty, o mero fato de que o presidente convocará a reunião já é considerado como uma mensagem aos bolivianos de que o Brasil tratará a situação com prioridade. (Jamil Chade/AE)





