Lula cobra mais flexibilidade do Fundo Monetário
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Silvio Navarro<br> Agência Folha 
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar ontem flexibilidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas negociações com países em desenvolvimento. Em discurso na 11 Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), ele reivindicou que os investimentos em infra-estrutura não sejam contabilizados como gastos.
''Os critérios do FMI para os países em desenvolvimento devem ser adaptados, de modo que os investimentos em infra-estrutura não sejam contabilizados como gastos'', disse, em pronunciamento que abriu uma mesa de debates sobre mecanismos de financiamento do desenvolvimento, ao lado do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Lula afirmou que enviou mensagem a todos os presidentes que têm influência no FMI pedindo que orientassem seus representantes a defenderem a distinção dos gastos. ''(É preciso) Levar em conta a necessidade de diferenciação do chamado gasto com uma piscina feita na casa de uma autoridade e o gasto feito numa hidroelétrica, numa hidrovia ou numa ferrovia.''
O presidente afirmou ainda que a nova agenda de desenvolvimento ''deve incluir entre seus objetivos a promoção de um comércio mais justo e de fluxos financeiros internacionais mais estáveis''.
O discurso de Lula novamente foi focado na necessidade de uma mobilização mundial para combater a fome. Disse que os governantes deveriam priorizar a erradicação da fome na elaboração dos seus orçamentos. ''A fome passa a ser responsabilidade daqueles que comem.''
Ao falar do dinheiro destinado às ações nessa área, Lula disse que os US$ 50 bilhões destinados pelo Banco Mundial e pela ONU são ''modestos' comparados aos ''trilhões gastos com guerras e armamentos'' e que ''as guerras não matam tanto quanto a fome.'' ''O desafio, na verdade, é criar as condições de convencer os governantes do mundo a entenderem que a fome é o que mais mata gente no mundo, hoje. Possivelmente, as guerras não consigam matar a quantidade de pessoas que a fome mata, com um agravante: a fome mata pessoas inocentes, mata crianças e, às vezes, mata o feto quando ainda está na barriga da mãe'', afirmou.


