Seul, Coréia do Sul - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje a Seul, capital da Coréia do Sul, acompanhado de cinco ministros de Estado. A viagem da comitiva presidencial começa pela Coréia e só termina sábado, no Japão. O petista chegou a convidar 12 ministros para estarem na comitiva, mas a crise política por causa da possível instalação da CPI dos Correios acabou impedindo a viagem da maioria dos que estavam convocados.
A expectativa é que sejam assinados seis contratos empresariais, no valor de US$ 1,5 bilhão, nas áreas de energia e infra-estrutura, com foco no aumento das exportações brasileiras e na atração de investimentos em áreas produtivas e em obras de infra-estrutura. Em torno de 200 empresários brasileiros irão às capitais Seul e Tóquio e se somarão aos 300 homens de negócio de cada país visitado em seminários e reuniões de trabalho.
A chegada de Lula está prevista para 21h50 (9h50 em Brasília), na base aérea de Seul. Estarão com o presidente os ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dilma Roussef (Minas e Energia), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Celso Amorin (Relações Exteriores).
Entre os faltosos mais importantes, segundo divulgou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro em Seul, estão José Dirceu (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e Eunício Oliveira (Comunicações). Todos permaneceram no Brasil com o objetivo de tentar conter a instalação da CPI dos Correios.
Também estava prevista e acabou cancelada a presença do presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles. O ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) iria se encontrar com a comitiva, segundo a assessoria do Planalto. O nome de vários desses ministros cuja vinda foi cancelada estava já impresso em alguns programas da viagem presidencial. Os ministros José Dirceu e Paulo Bernardo fariam palestras nos dois países.
O perfil dos ministros escolhidos para permanecerem no Brasil é nitidamente político: Dirceu, Paulo Bernardo, Eunício Oliveira e Eduardo Campos são deputados federais e mantêm constante relação com os congressistas da base aliada ao Planalto. No Brasil, vão ajudar o presidente a tentar a contornar a ameaça de CPI. No Japão e na Coréia, deixarão insatisfeitas grandes platéias de empresários. Cerca de 500 homens de negócios haviam se inscrito em cada um desses países para ouvir as autoridades brasileiras que agora não estarão presentes.
Também acompanham o presidente dois governadores de Estado: Germano Rigotto (PMDB-RS) e Lúcio Alcântara (PSDB-CE).
Tóquio, Japão - O Japão vai conceder um crédito total de 1,7 bilhão de dólares para financiar projetos petroleiros no Brasil, informou a imprensa japonesa ontem. O primeiro-ministro Junichiro Koizumi vai anunciar a ajuda no encontro com o presidente Lula, quinta-feira, revelou o jornal Nihon Keizai Shimbun citando fontes do governo.
A delegação brasileira na terra do sol nascente deve incluir 242 empresários. Os créditos serão concedidos pelo Japan Bank for International Cooperation e por bancos privados, segundo o Nihon Keizai. O dinheiro será destinado à construção de oleodutos e ao desenvolvimento de tecnologia na área petroleira.
A decisão visa reduzir a excessiva dependência japonesa do petróleo do Oriente Médio, segundo o jornal, que cita o ministério das Relações Exteriores. O acordo será assinado na sexta-feira entre os bancos japoneses, as autoridades brasileiras e a Petrobras, informou o jornal.
Koizumi também vai anunciar a criação de dois painéis de especialistas para analisar a situação dos 270 mil nipo-brasileiros que vivem no Japão.

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