Lula assinou decreto sem ler, diz Stephanes
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Dimitri do Valle<br> Folhapress 
Curitiba - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem em Curitiba que o ministro Carlos Minc
(Meio Ambiente) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinaram sem ler um decreto sobre penas a produtores que desrespeitarem leis de proteção ambiental.
O decreto 6.514, publicado em julho, prevê penas como suspensão das atividades e embargos de propriedades e rebanhos, caso o produtor não conserve ou restaure áreas de reserva legal. Para Stephanes, o decreto criminalizou os agricultores brasileiros.
O problema é que ninguém leu. Eu disse isso ao ministro Minc quando ele mandou o decreto ao presidente: você não leu o decreto, o presidente não leu o decreto. Ninguém leu o decreto, declarou Stephanes.
Ele deu a declaração ao criticar o decreto e o Código Florestal. As multas são despro-porcionais, afirmou. (Se) Aplicar essa legislação da forma que foi colocada, eu posso garantir a vocês, áreas inteiras deixam de produzir, disse. Ele afirmou ser preciso ter coragem para alterar o Código Florestal.
De acordo com Stephanes, das 4,3 milhões de pequenas e médias propriedades agrícolas do país, cerca de 3 milhões estariam irregulares se consideradas todas as leis ambientais.
As declarações são semelhantes à posição da Sociedade Rural Brasileira (SRP) e da Confederação da Agricultura Pecuária do Brasil (CNA).
Para Stephanes, o decreto impõe medidas genéricas a regiões diferentes, como encostas e topos de morros em Minas Gerais e no Sul. Caso houvesse leis que seguissem o perfil de cada região, o ministro disse que problemas como a derrubada da floresta amazônica poderiam acabar.
Pessoas urbanas, que ajudaram a fazer as leis, nunca plantaram um pé de feijão, disse o ministro, que defendeu ainda que ONGs não deveriam participar de discussões sobre proteção dos recursos naturais porque são, segundo ele, financiadas por poluidores inclusive pelos grandes poluidores do mundo, pelas grandes empresas petrolíferas.
Ele também criticou o Banco do Brasil ao pedir mais velocidade na liberação de recursos para a safra 2008/ 2009 diante da crise financeira global.


