Se o governo, nu rasgo de inteligência, resolvesse montar um programa de fomento na área de equipamentos agrícolas - incluindo aí os de plantio direto, em que é visível a dificiência -, poderia alavancar fortemente o giro no setor, gerando empregos nas indústrias e proporcionando economia no campo. Todo agricultor sonha com uma máquina moderna eficiente, que não requer reposição de peças; que não se deprecie tão rapidamente, etc, etc.
Os números desse setor são altos. Negócios portentosos criam ambiente econômico igualmente farto.
Vejamos, por exemplo, as estatísticas do setor, esta semana. Enquanto no Show Rural, o repórter Silvio Oricoli, mostra um mercado regional comprador - fala-se em escassez de máqunas - na página 4 - em termos nacionais, a Abimaq (incluindo aí todo os segmentos e não apenas o agrícola) mostra crescimento das vendas - e das exportações - em plena crise do ano passado.
A indústria de máquinas e equipamentos faturou R$ 30,11 bilhões no ano passado apesar das crises energética e argentina, que enfraqueceram o setor produtivo. O resultado aponta crescimento de 11,1% em relação a 2000, segundo dados da Abimaq.
No total, as exportações do setor cresceram 2,1% em 2001. Segundo o presidente da Abimaq, Luiz Carlos Delben Leite (entrevita à Agência Folha,ontem), as vendas externas totalizaram US$ 3,59 bilhões em 2001.
No segmento de máquinas agrícolas, vale registrar a opinião experiente de
José Luís Coelho, gerente de produto e mercado da John Deere, com sede em Horizontina (RS). Ele entende, - entrevista a este jornal, ontem -, que os negócios deste ano deverão ficar no mesmo patamar de 2001, quando o mercado nacional negociou cerca de 28 mil tratores e 3,8 mil colheitadeiras.
Coelho, apesar de reconhecer os benefícios do Moderfrota, ao dispor de dinheiro a juros compatíveis com a realidade, diz que o governo deve pensar em suplementar os recursos destinados à modernização da frota brasileira de máquinas agrícolas.
Os R$ 670 milhões destinados em dezembro último para complementar os recursos do programa não serão suficientes para atender a demanda, avalia o gerente da John Deere, ao considerar que este volume deve se esgotar já na primeira quinzena de maio. Diante do bom desempenho da produção agrícola e os preços das commodities agrícolas, nos dois últimos anos, têm ajudado a amortizar o capital e o produtor a se recompor de prejuízos sofridos em safras passadas.
Para uma frota nacional de 500 mil tratores, com idade média entre 10 e 12 anos de uso, o índice de modernização deveria ser de 10%, o que equivale a 50 mil unidades por ano. ‘‘Isto dá a dimensão do potencial do mercado. No entanto, para que isso ocorra é preciso que o governo mantenha instrumentos que permitam o acesso do agricultor aos novos maquinários, como o Moderfrota’’, argumenta Coelho. (Veja mais na página).

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