Luiz Geraldo Mazza
Péricles P. Salazar , de Curitiba: Temos acompanhado com inquietação as notícias publicadas no Caderno Agribusiness sobre os preços da pecuária de corte. Desconhecemos as razões pelas quais ocorre uma forte tendência de valorização forçada do preço do boi. As matérias têm contribuído para inflar os preços, sem nenhuma contribuição positiva para o conjunto da pecuária.
Plínio C. Zanca , Maringá: Quero me referir aos comentários do sr. José E. Moura, de Ribeirão do Pinhal (28/10), ao comentar carta o sr. Ricardo S. Strenger (21/10), em que mostra, com firmeza, a falta de liderança entre produtores. Parabéns ao sr. José E. Moura. Creio que centenas de nós pensamos como ele. Avante com a idéia.
Benedito J. Américo , São José das Palmeiras: Gostaria de contar com a coluna de mercado. Por que não tem saído? Trata-se de referencial para o comércio cerealista e de gado. A última data de 24/10.
O ajuste natural do mercado, dado pelas forças da oferta e procura, acabam sendo influenciados pelas notícias plantadas em seu caderno, forçando o produtor a reter o seu gado no campo esperando por um preço que acaba não acontecendo, afetando a todos os elos da cadeia produtiva, inclusive o consumidor que, em última análise, acaba sendo prejudicado pelas manobras especulativas.
O maior exemplo destas afirmações estão contidas na matéria do último dia 21 de outubro, no seu Caderno, com o título Estiagem pode elevar o preço da carne. Baseado em análise do Sr. José Vicente Ferraz, da FNP, o jornal publica que o preço do boi pode chegar até a R$ 48,00/arroba no pico da entressafra.
Se isto vai ocorrer ou não, ninguém sabe. A previsão neste tipo de mercado esbarra quase sempre em fatores presentes que acabam não se confirmando. Mas acabam influenciando os preços do mercado, elevando artificialmente o preço do momento, ensejando toda uma repercussão até chegar ao consumidor. Este tipo de matéria em nada colabora mas contribui para permitir altos lucros àqueles que têm interesse no mercado futuro dos preços pecuários em Bolsa. E este é o caso de muitas consultorias especializadas que estimulam a especulação para seu próprio benefício.
Sempre qualificamos a Folha do Paraná como sendo a principal fonte de informação e opinião do nosso Estado. Sua credibilidade é compatível com a sua grandeza e fruto de 52 anos de história jornalística séria e independente. As matérias veiculadas pela Folha são fonte indispensável na formação das opiniões e expectativas de seus leitores, e por isso requerem a boa prática do contraditório. A apresentação de pontos de vista divergentes sobre os assuntos em pauta é obrigatória para que os leitores possam formar as suas próprias opiniões, e é especialmente recomendável quando se aborda mercados voláteis como o da pecuária de corte.
Na própria página do Caderno Agribusiness sempre estão publicadas as cotações Seab/Deral, que baseiam-se em pesquisas diárias realizadas pelos seus técnicos. Como se observa, estas cotações estão quase sempre em desacordo com os preços plantados por tais analistas. Fica claro a manipulação das expectativas de preços, ingenuamente incorporada pelo Caderno. (Péricles Salazar é presidente do Sindicarne/PR)
Nota: As informações veiculadas são de instituições e pessoas que merecem crédito, entre elas o próprio Sindicarne/PR e o seu presidente Péricles Salazar, cuja crítica respeitamos e agradecemos. Porém, não podemos prescindir de opiniões de analistas conceituados como Victor Abou Nehmi Filho e José Vicente Ferraz, entre outros. Somos nós quem os procuramos. Gostaríamos de continuar contando também com o Sindicarne como uma de nossas numerosas fontes.
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