LUIZ GERALDO MAZZA - Juros estratégicos
Poucas vezes uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) despertou tanto interesse como a desta semana. É que o tamanho dos juros básicos pode ser um balizador da expectativa do governo com relação ao crescimento da inflação. Até porque as projeções já foram corrigidas duas vezes.
Na atual conjuntura, a economia está tão sensível à especulações que, de repente, o colegiado do Banco Central pode até reduzir a taxa atual de 18,5% ao ano para tranquilizar o mercado.
Mesmo que estratégica, tal redução certamente não será superior a modestíssimo 0.25%. Redução defensiva sobre juros prá lá de defensivos, fixados desde o início do ano com extrema cautela.
A lógica, porém, é de manutenção da atual taxa Selic. Se o Copom aumentar a taxa estará referendando toda sorte de especulações em torno de uma iminente crise na economia
Para o mercado consumidor, qualquer que seja a taxa Selic, os juros (do crediário para compra de bens duráveis, cheque especial, crédito pessoal, etc) não vão sofrer alteração.
Pelo menos o histórico recente tem mostrado que não. Enquanto os juros básicos estão parados em 18,5% desde março, a taxa das operações de um ano - que de fato exerce influência sobre o custo de empréstimos e financiamentos - pulou de 20,41% em maio para 26,25% na sexta-feira.
No último domingo este jornal divulgou dados da Associação Nacional dos Executivos Financeiros segundo os quais a taxa de crédito direto ao consumidro (CDC) aumentou de 3,76% para 4,17%.
O recuo tem sido total no comércio. Prazos de amortização do crediário também foram reduzidos. O dinheiro e o consumidor sumiram. O pequeno poupador procurou abrigo na velha e inofensiva poupança - que não rende nem dá prejuízos, em tempo de risco. Como agora.
Se a economia continuar recuada, não haverá no Natal deste ano a tradicional promoção em cima das compras de dezembro ''para pagar só no ano que vem''. A apenas três/quatro meses do início das campanhas promocionais não há dados acenando com recuperação na economia.
Com eleições e prenúncios de mudanças nas regras da economia, é possível que as festas de final de ano sejam mais cautelosas. O atacado está prevendo redução de 10% nas encomendas do comércio. Pode até haver aumento dos bens de consumo que dependam desembolso menor. Alimentação, neste caso, ganha por conta do chamado deslocamento de consumo. Quem adia a troca do carro, da moto ou do mobiliário, tem direito de gastar mais no cardápio.
Sob qualquer ponto que se analise, a economia está fragilizada.





