O crochê é uma técnica antiga que surgiu no Egito há milhares de anos. No Brasil pelo menos é mais difundido entre as mulheres. Poucos homens se arriscam a pegar nas agulhas. Porém, não é o caso do flanelinha Luiz Carlos Dias dos Santos, 26 anos, um dos poucos homens a crochetear publicamente.
Enquanto fica de olho nas motos num estacionamento da Avenida São Paulo, as mãos ágeis transformam a linha em toalhinhas e capas de botijão de crochê. ''Vendo só para minhas irmãs ou quando alguém faz encomenda'', disse ele, que parece levar mais a sério a função de cuidar das motos. Com esse bico, ele ganha por dia entre R$ 10 a R$ 20. ''O crochê, faço mais pelo prazer. Gosto bastante e nunca ninguém me ensinou'', orgulha-se. Uma das últimas peças foi para ele, uma camiseta baby look.
Sem nunca ter tido carteira assinada, Luiz Carlos conta que aprendeu a técnica só de olhar. ''Nunca gostei de ficar parado. Acho melhor fazer alguma coisa do que ficar com a cabeça vazia'', ensina. O interesse pelo artesanato começou por volta dos 15 anos, quando ele fez uma tarrafa (rede de pesca). Depois, tentou com as agulhas e acabou se familiarizando. ''Não tenho condições de comprar revistas que ensinam os pontos nem linha, senão faria muito mais'', relata.
''Hoje em dia está muito difícil um trabalho. Cada um tem que se virar como pode'', complementa. Ele também aprendeu a fazer cachecóis e tocas num tear em forma de circulo com pregos ao redor. ''Também sei fazer três tipos de cachecóis. O francês, feito com três tranças, é o mais bonito'', contou. (V.B.)

mockup