Lugo adota discurso cauteloso sobre Itaipu
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
André Magnabosco<br> Agência Estado 
São Paulo - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, decidiu adotar um discurso cauteloso em sua visita ao Brasil. Defensor de uma revisão nos preços da energia de Itaipu comprada pelo Brasil junto ao Paraguai, o novo presidente paraguaio utilizou termos como ''boa vontade'' e ''diálogo franco'' para explicar como pretende convencer o governo brasileiro a aceitar renegociar os preços praticados atualmente. ''Quando há boa vontade de ambas as partes, é possível mudar um tratado'', afirmou Lugo, após participar ontem de uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Apesar de acreditar que seja possível obter êxito nas negociações com o Brasil, o presidente paraguaio deixou claro que os dois países ainda não avançaram no acordo. ''O que há de concreto é a vontade do presidente Lula de abrir o debate'', disse. Segundo Lugo, o objetivo das negociações deve ser ''encontrar novas formas para que a energia gerada em Itaipu seja mais equitativa e mais justa para os dois países''.
A renegociação dos preços pagos pelo Brasil à energia gerada por Itaipu se tornou alvo de discussões entre os países a partir da campanha presidencial de Lugo. Ainda candidato, o ex-bispo apontava a necessidade de elevação nestes valores como a principal bandeira de sua candidatura.
Os paraguaios acusam o Brasil de pagar aproximadamente US$ 3 por megawatt de energia produzida por Itaipu, a qual o Paraguai teria direito e que é revendida para o Brasil. Como pode consumir até 50% do volume gerado, mas sua demanda corresponde a apenas 5% do total, o Paraguai negocia o volume excedente com o Brasil.
O governo brasileiro, por sua vez, destaca que o total pago aos paraguaios é de US$ 45 por megawatt. A diferença entre os valores anunciados pelos dois países está relacionada ao pagamento dos juros da dívida contraída para a construção da usina e de royalties, além dos investimentos em manutenção e modernização da hidrelétrica, que reduzem o valor pago diretamente ao governo paraguaio.
Como o acordo entre os países tem validade até 2023, o governo brasileiro tem mantido a posição de que não irá renegociar os valores com o Paraguai.


