Lucros dos bancos estão fora da realidade
O Brasil é um país de contrastes. De um lado o governo cria uma série de programas de distribuição de renda, como o bolsa família, bolsa escola, vale gás e tantos outros para amenizar a situação dos que não tem qualquer renda para manter sua família. E este mesmo governo que parece ter uma preocupação com os mais humildes, comanda uma economia que nunca deu tanto lucros aos banqueiros.
Parodiando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ''nunca na história deste País os bancos ganharam tanto em tão pouco tempo''. Enquanto a economia cresce a passos de tartaruga - o Produto Interno Bruto (PIB) previsto para este ano não deve crescer mais do que 4,5% - os lucros dos bancos são assustadores. Até mesmo instituições públicas estão na mesma onda de progresso financeiro sem precedentes.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encerrou o primeiro semestre com lucro recorde de R$ 4,4 bilhões, resultado 34% superior ao obtido um ano antes e maior que o dos bancos comerciais. Segundo o banco, o desempenho foi alavancado pela recuperação de crédito, que contribuiu com 1,2 bilhão de reais, e pelas operações de renda variável, com 2,2 bilhões de reais. ''Os resultados foram extraordinariamente favoráveis em função da melhoria significativa da recuperação na carteira de crédito, que resultou num ganho ótimo de rentabilidade'', afirmou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em entrevista a agência Estado.
Já o banco Itaú obteve um lucro líquido de R$ 4,016 bilhões acima dos R$ 2,958 bilhões dos primeiros seis meses de 2006 e superior ao Bradesco que somou R$ 4,007 bilhões.
De janeiro a setembro deste ano a Caixa Econômica Federal auferiu um lucro de R$ 1,780 bilhão mais do que a previsão inicial para o período que era de R$ 1,597 bilhão. O mais interessante é que, mesmo tendo um lucro muito alto, a Caixa será investigada, pois o lucro auferido, mesmo estando dentro do previsto pelo Ministério da Fazenda, é menor do que o esperado para o banco por setores do governo.
''Temos aí alguma situações para serem analisadas. O lucro dos bancos no Brasil é enorme e ninguém contesta. Porém, ele vem não de fomento da economia, mas o uso e o abuso das altas taxas de juros cobradas e outros penduricalhos que todos são obrigados a adquirir caso precise de um empréstimo para investimento na empresa. O dinheiro brasileiro é um dos mais caros do mundo'', diz o presidente do Sescap-Ldr José Joaquim Martins Ribeiro.
Segundo ele, os bancos, mesmo tendo a oportunidade de ganhar o que querem, quando estão nas mãos do poder público, sofrem com as ingerências políticas e podem até quebrar, deixando mais esta conta para o bolso do contribuinte. ''Veja o caso do Banestado, no Paraná. Ele era um dos mais fortes bancos estaduais do Brasil. Foram tantas as ingerências políticas que ele não conseguiu sobreviver aos desmandos. Foi vendido a um preço simbólico para o Itaú e ainda sobrou a conta para o contribuinte pagar o que está acontecendo até hoje''. O Banestado, conforme Ribeiro, financiava a agricultura do estado, porém os desvios de recursos, os favores políticos, o uso da entidade para lavagem de dinheiro, fizeram o banco naufragar.
O presidente do Sescap-Ldr lembra que a cobrança de taxas e tarifas pelos bancos está tão gritante que o governo estuda impor regras para a cobrança. ''Isto precisa ser urgente. Hoje uma empresa pequena que tem conta em dois bancos paga tanta coisa para eles que deixa boa parte do seu faturamento com esses bancos. É preciso uma providência urgente''.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e
Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





