Lucro operacional da Copel cresce 152%
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quarta-feira, 28 de março de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou 2006 com lucro operacional de R$ 1,8 bilhão - uma variação 152% maior do que os R$ 728 milhões apresentados em 2005. Se analisado apenas o lucro líquido da empresa (retirando as despesas), a companhia obteve R$ 1,2 bilhão - o equivalente a R$ 4,54 por lote de mil ações. Para os acionistas, a boa notícia é o pagamento de dividendos na ordem de 2,5 vezes a mais do que em 2005. Os números divulgados são resultados da geração, transmissão e distribuição de energia no Paraná.
Apesar de comemorar os resultados obtidos, a direção da Copel confirma que fatores não recorrentes (ou seja, que não eventualmente são somados no ano por motivos adversos) influenciaram no resultado.
O primeiro fator recorrente seria a reversão em maio de 2006 do valor de R$ 416,4 milhões referentes ao contrato da Usina Eletrotérmica de Gás (UEG) de Araucária. O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, explicou que o governo do Estado deixou de pagar o valor previsto para ser repassado para a Petrobras desde maio de 2003. Entretanto, os valores teriam sido provisionados (guardados para uma eventualidade). Até dezembro de 2005, deveriam ter sido pagos R$ 700 milhões pelo uso do gasoduto feito na UEG. Houve uma renegociação entre a Copel e a Petrobras que acabou resultado no pagamento de R$ 150 milhões como forma de quitar a dívida. O restante do valor, que estava guardado, acabou sendo incluído no caixa da estatal. Agora, a Copel poderá lucrar com o aluguel da usina para a Petrobras, contrato assinado por um ano (podendo ou não ser prorrogado).
O segundo fator que teria colaborado para o desempenho significativo da empresa foi a vitória judicial referente a provisão de Cofins (incidente sobre as operações relativas a energia elétrica durante setembro de 1998 e junho de 2001), num montante total de R$ 197,6 milhões. Atualmente, a Copel recolhe 9,25% sobre a receita operacional da empresa em Cofins e PIS. ''Mesmo se retirarmos os valores dos resultados não recorrentes, a Copel cresceu 36,5% em relação a 2005. Foi o maior desempenho do setor elétrico em termos de crescimento em 2006'', afirmou Ghilardi. A receita operacional líquida da Copel atingiu no ano passado R$ 5,3 bilhões - 11,3% a mais do que em 2005. O aumento ocorreu por conta dos repasses de reajustes na tarifa de fornecimento de energia na ordem de 4,4%; elevação na receita do suprimento de energia elétrica; e aumento na receita de venda de gás por conta do aumento das operações de distribuição de gás para terceiros.
Outro fator que teria colaborado para o resultado, segundo Ghilardi, teria sido o corte de despesas fixas num montante de 2%. O baixo valor do dólar também foi positivo para a Copel Distribuição - que compra em moeda americana a energia que distribui da Itaipu Binacional (30% do total).
Para 2007, estão previstos investimentos de R$ 600 milhões. Deste valor, R$ 407 milhões seriam para distribuição, R$ 180 milhões para transmissão, R$ 72 milhões para geração (sendo que R$ 40 milhões na Usina de Mauá) e R$ 38 milhões em telecomunicações.


