Curitiba A Sanepar divulgou, ontem, relatório anual da administração da empresa correspondente ao exercício financeiro de 2002. As cinco páginas de relatório divulgadas em jornal de circulação estadual apresentam o balanço que revela a situação financeira sólida da empresa, que obteve no ano passado lucro líquido de R$ 144,5 milhões, inferior ao resultado de 2001, quando o resultado foi de R$ 152,1 milhões. A diferença não foi considerada expressiva e é atribuída à volatilidade do câmbio registrada no segundo semestre de 2002.
Com a publicação do balanço, o Conselho de Administração da Sanepar desiste de pedir a devolução dos dividendos pagos de forma antecipada aos acionistas minoritários, no ano passado. De acordo com o presidente do Conselho de Administração, Pedro Henrique Xavier, havia um item preocupante no balanço que se referia ao pagamento de juros sobre o capital próprio dos acionistas no valor de R$ 66,8 milhões. Esse dividendo foi pago aos acionistas da Sanepar, incluindo governo do Estado, empresas que integram o Consórcio Dominó (construtora Andrade Gutierrez, banco Opportunity e grupo francês Vivendi) e acionistas minoritários que compram ações da empresa em bolsa.
Segundo Xavier, a análise do balanço mostrou que a devolução dos dividendos não traria nenhum benefício à companhia. Pelo contrário, a restituição dos valores antecipados seria anulada em decorrência do pagamento de tributos sobre a operação. A devolução implicaria na retificação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) que não compensaria à empresa. O que a empresa tem que pagar em tributos adicionais, caso a distribuição de dividendos seja cancelada, não compensa. ''A Sanepar não seria beneficiada com isso'', disse o conselheiro.
Xavier ressaltou ainda que, sob o ponto de vista financeiro, o balanço da empresa mostra que ela está sólida. Foi aprovada por auditores independentes e o único impasse para a sua publicação era a devolução dos dividendos.
Porém, o procedimento daqui para frente deverá ser diferente, acredita Xavier. Segundo ele, o Conselho de Administração vai recomendar à assembléia geral de acionistas, que se reúne no dia 29 de abril, que não faça mais distribuição de dividendos de forma antecipada e pagamento de juros sobre o capital próprio, como ocorria na gestão anterior. A recomendação é para que sejam distribuídos somente os dividendos obrigatórios. O adicional que vinha sendo distribuido aos acionistas será revertido na melhoria dos serviços sociais da empresa.

mockup