Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou o primeiro semestre deste ano com um lucro líquido de R$ 524,6 milhões. O valor é 29% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a estatal atingiu um lucro líquido de 740,4 milhões. O diretor de Finanças e Relações com Investidores da empresa, Paulo Roberto Trompczynski, explica que não há como fazer uma comparação simples entre os números. Isso porque em 2006, o lucro líquido teve o impacto positivo da reversão de R$ 423,8 milhões que haviam sido reservados para o pagamento das faturas de gás destinado à Usina de Araucária.
Segundo ele, para que os números pudessem ser comparados seria preciso retirar o valor dessa reversão da ''conta do gás'' do resultado de 2006. Além disso, teria que ser subtraído do balanço de 2007 o valor de R$ 60,4 milhões que resultou da negociação do contrato de compra de energia da empresa Cien. Caso estes lucros não-recorrentes tivessem sido ignorados, o resultado do primeiro semestre de 2006 seria de R$ 316,6 milhões e nos primeiros seis meses deste ano de R$ 464,6 milhões. Nesta comparação houve um crescimento de 47% no lucro líquido.
Para o analista de mercado Mohamed Talah Junior, o desempenho da Copel foi ruim. ''O balanço (da companhia) me surpreendeu. O câmbio caiu e como a Copel tem dívida em dólar, o balanço deveria ter melhorado'', justificou. Ele lembrou que a economia brasileira teve um primeiro semestre mais positivo, por isso, o balanço da estatal teria que ser melhor. O analista destacou ainda que a tarifa de energia no Brasil é a mais cara do mundo. ''As empresas de energia devem estar com problemas de custo de geração e distribuição'', disse.
A receita operacional líquida, resultado da venda de energia elétrica menos impostos e despesas intra-setoriais, subiu 7,9% no semestre comparativamente aos seis primeiros meses de 2006, atingindo R$ 2,574 bilhões. Isso resultou num lucro operacional de R$ 842 milhões no período.
A companhia também teve um crescimento de 5,7% no consumo de energia elétrica no mercado atendido diretamente pela estatal, que totaliza 3,385 milhões ligações em 393 municípios paranaenses. O segmento comercial registrou crescimento de 9,5% no primeiro semestre de 2007 comparado com o mesmo período de 2006. Na classe residencial a elevação foi de 6,9%, no setor rural de 5% e no industrial de 4,5%.

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