Lucro líquido da Copel recua 19,4% no primeiro trimestre
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
A Copel acumulou um lucro líquido de R$ 470 milhões no primeiro trimestre de 2015, o que representa uma queda de 19,4% em relação ao resultado obtido no mesmo período do ano passado. A companhia esclareceu que o principal motivo para o recuo no lucro foi o aumento do custo da energia que subiu 82% nos três primeiros meses do ano. Este gasto com energia foi parcialmente compensado com o crescimento de 39% nas receitas operacionais.
Segundo a empresa, o reajuste tarifário médio de 36,4% que entrou em vigor no início de março ajudou a evitar que a Copel Distribuição tivesse prejuízo e conseguisse atingir um lucro líquido de R$ 28,8 milhões no primeiro trimestre. Para efeitos contábeis, a estatal também considerou neste balanço R$ 560,9 milhões de custos a mais que teve com compra de energia e que pretende receber dos seus consumidores a partir do reajuste tarifário anual da empresa que entra em vigor sempre em 24 de junho.
Durante teleconferência na tarde de ontem da qual participaram diretores da Copel, investidores e analistas de mercado, a diretoria da empresa comentou que pretende incluir nos cálculos do reajuste de 24 de junho o diferimento de 15% que tinha ficado represado nos anos de 2013 e 2014 por decisão do governador Beto Richa. Segundo a empresa, com esse reajuste, a distribuidora ficaria equilibrada.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse que não divulga os cálculos que serão apresentados pela Copel para o reajuste de junho. A área de regulação econômica da agência é quem define qual será o percentual de aumento. A Copel tem até 24 de maio para apresentar os cálculos para a agência reguladora.
O consultor de investimentos da Inva Capital, Raphael Cordeiro, acredita que o reajuste de junho pode vir superior a 15%, considerando que ainda há a inflação do período.
Resultado
No primeiro trimestre, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 834,924 milhões, retração de 2,8%. Outro aspecto do balanço que chamou atenção foi o aumento de 16,4% do lucro líquido da Usina Termelétrica a Gás de Araucária, que é controlada 80% pela Copel. O lucro da UEGA atingiu R$ 155 milhões. Segundo informou na teleconferência, o diretor de finanças e relações com investidores da estatal, Luiz Eduardo da Veiga Sebastiani, a termelétrica operou de maneira ininterrupta durante todo o primeiro trimestre.
O diretor presidente da Copel, Luiz Fernando Leone Vianna, disse aos investidores ainda que a hidrologia desfavorável tornou o custo da energia mais caro. "Nossos reservatórios no País continuam baixos, o que faz usar as térmicas", disse. A empresa ainda teve um aumento de 11% na compra de gás com a operação da UEGA, uma elevação de 104,4% com a compra de energia de Itaipu (que é definida em dólar) e o fim dos repasses da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Os gastos com pessoal também aumentaram 11% em função de reajustes salariais. Com as chuvas durante o verão, a empresa também teve que deslocar mais os funcionários para fazer reparos, o que eleva os custos.
Cordeiro lembrou ainda que o reajuste tarifário extraordinário só entrou a partir de março no caixa de empresa. "O custo da energia está altíssimo", disse.


