Lucro líquido da Copel recua 14,5% no terceiro trimestre
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sábado, 15 de novembro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou o terceiro trimestre deste ano com queda de 14,5% no lucro líquido que atingiu R$ 233 milhões contra R$ 273 milhões no mesmo período do ano passado. O balanço da empresa informa que este resultado é explicado pelo crescimento de 57,3% nos custos com compra de energia para revenda e pelo aumento no custo com gás natural e insumos para operação de gás em razão do despacho da Usina Termelétrica (UTE) Araucária.
Ainda segundo a estatal, estes gastos foram parcialmente compensados pelo crescimento nas receitas, em função do reajuste de 24,86% aplicado às tarifas da Copel Distribuição para os consumidores a partir de 24 de junho e da venda da energia produzida pela UTE Araucária no mercado de curto prazo.
A receita operacional líquida da companhia atingiu R$ 3,3 bilhões no terceiro trimestre com um crescimento de 45,8% sobre o mesmo período de 2013. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 496 milhões, o que representou um crescimento de 7%.
Os investimentos realizados no terceiro trimestre foram de R$ 849,6 milhões ou 130% a mais que no mesmo período de 2013. Ao longo de 2014, o programa de investimentos realizado pela Copel soma R$ 1,8 bilhão, 73% maior que no mesmo período de 2013.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, disse que não vê como muito problemática a queda no lucro líquido da Copel já que os investimentos foram altos. Se a empresa está investindo é um gasto. É mais que justificável que tenha queda no lucro, destacou.
Ele acredita que a conta de luz do consumidor pode ficar ainda mais cara em 2015 em função dos gastos que a companhia teve com compra de energia e devido ao acionamento das termelétricas no sistema energético brasileiro. Deste ano, já sobrou um residual de cerca de 15% a ser aplicado em 2015 porque o governo do Estado solicitou que não fosse aplicado o reajuste integral concedido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as contas de luz. Petróleo e energia devem ter aumentos sistematicamente. E a perspectiva é de reajustes de preços nestas tarifas, alertou Curado.
Para o gestor de fundos e diretor da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais (Apimec), Christiam Klent, o resultado da Copel também reflete o cenário nacional do setor que está passando pela dificuldade dos custos da compra de energia.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2014, a Copel registrou lucro líquido de R$ 1,064 bilhão, crescimento de 15,3% em comparação ao registrado no mesmo período de 2013. Segundo a empresa, o resultado reflete a expansão dos investimentos e a reestruturação organizacional da empresa promovida em 2013 para o resgate do equilíbrio financeiro da Copel Distribuição.
As ações ordinárias da Copel (com direito a voto) tiveram alta de 0,31% e as preferenciais de 0,44% segundo a BM&F Bovespa. Ontem, a Bovespa fechou em queda de -0,14%. Para Klent, o movimento das ações da Copel mostra que o mercado já esperava algo próximo dos resultados que foram apresentados no balanço.


