Lucro líquido da Copel cai 4,8%
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terça-feira, 23 de março de 2010
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou o ano com um lucro líquido de R$ 1,026 bilhão resultado 4,8% menor do que o obtido no ano de 2008 quando o lucro tinha sido de R$ 1,079 bilhão. Para o consultor financeiro Raphael Cordeiro os principais motivos que levaram a queda do lucro foram o aumento dos custos da empresa, a elevação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a energia e a ausência de reajuste das tarifas para o consumidor.
Ele acredita que caso não haja reajuste de tarifas, pode haver comprometimento dos investimentos da empresa a médio e longo prazo. O balanço de 2009 aponta ainda um aumento de 2,9% na receita operacional líquida que totalizou R$ 5,617 bilhões. A capacidade de geração de caixa (medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a R$ 1,739 bilhão. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido atingiu 13,1%.
Os investimentos somaram R$ 943,9 milhões e foram destinados, na maior parte, à expansão, reforço, modernização e melhorias no sistema de distribuição de energia elétrica (R$ 655,2 milhões). As áreas de geração e transmissão de energia absorveram R$ 58,8 milhões e o sistema de telecomunicações, R$ 38,4 milhões. Especificamente para as obras da Usina Mauá, hidrelétrica com 361 megawatts em construção no rio Tibagi e que começa a produzir eletricidade no próximo ano, a Copel destinou recursos da ordem de R$ 191,4 milhões.
A empresa terminou o ano com dívida líquida negativa de R$ 23 milhões. Segundo o presidente da estatal, Rubens Ghilardi, para este ano, estão previstos investimentos da ordem de R$ 1,343 bilhão.
Consumo
O destaque é o crescimento de 3,1% do mercado consumidor atendido diretamente pela companhia, mesmo com ''os efeitos da crise econômica mundial que se manifestou de forma mais aguda os últimos meses de 2008'', segundo o presidente da companhia.
Esse crescimento, na avaliação de Ghilardi, se explica pelo perfil bastante diversificado da economia estadual, característica que permitiu ao Paraná superar rapidamente aqueles momentos de instabilidade, e pela retomada da política de concessão de descontos a quem paga em dia sua conta de luz. ''Sem dúvida, essa medida tem estimulado a atividade econômica no Estado e ajudado a promover o bem estar da população atendida pela Copel'', argumentou.
''O desconto neutraliza integralmente os efeitos do reajuste médio de 12,98% autorizado pela Aneel às nossas tarifas no final de junho, mantendo-as nos mesmos patamares de junho de 2008 e, também, como as menores em todo o Brasil'', destacou o presidente.
Ghilardi explicou que das quatro principais classes de consumo de energia do mercado cativo da Copel, só a industrial - que absorve quase um terço do total da eletricidade faturada pela Companhia - teve retração. ''Ela chegou a 1% ao longo do ano, enquanto em outros Estados a queda no consumo industrial chegou a 10%'', comentou. ''Mas no último trimestre do ano, as 67 mil indústrias atendidas diretamente pela Copel consumiram 5,7% mais eletricidade que no mesmo período de 2008, indicando que a normalidade nas atividades no setor está sendo retomada''.
Nas demais categorias de consumo, a demanda por eletricidade cresceu 5,9% na classe comercial, 5,3% na residencial e 4,6% na rural. A Copel encerrou o ano de 2009 com 3,628 milhões ligações elétricas atendidas no mercado cativo, sendo 2,859 milhões residências, 300 mil estabelecimentos comerciais e de serviços, 67 mil indústrias e 353 mil propriedades e domicílios rurais.


