Lucro e tecnologia da informação
Na esteira do papel fundamental que a tecnologia da informação vem assumindo na vida das corporações pós-globalização, os sistemas de gestão de negócios se disseminaram, notadamente pelas indústrias, que buscam adquirir agilidade e produtividade com a automatização e integração de seus processos.
A compreensão desses sistemas como estratégicos para a conquista de clientes e geradores de vantagens competitivas, porém, ainda é limitada por parte das companhias, que os percebem como mera tecnologia, aplicável apenas a procedimentos operacionais.
Entretanto, os avanços verificados hoje nas ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) aplicadas à gestão mostram que pode haver agilidade e, consequentemente, vantagens competitivas na utilização dessas tecnologias em processos operacionais (como a distribuição de produtos) e, principalmente, em outros mais estratégicos, como o relacionamento com o cliente e o processo de vendas, por exemplo.
Diferentemente das soluções estanques desse tipo, aplicadas normalmente à manufatura dos produtos, esses novos softwares, de arquitetura aberta ou seja, que permitem incorporar e trocar ferramentas e tecnologias essenciais hoje nas áreas estratégicas das empresas acabam tendo reflexos positivos na relação da empresa com seus consumidores, a despeito de nem sempre serem visíveis a eles.
As intrincadas operações de comércio eletrônico, a gestão avançada da cadeia de distribuição, o processo comercial, as estratégias de CRM-Customer Relationship Management, e a análise apurada de captação de indicadores de negócios (Business Inteligence) são alguns dos processos estratégicos para as empresas que podem ser otimizados auxiliados pelas novas gerações de ferramentas de TI, com resultados que se revertem em maior rapidez, bem como em fidelização de consumidores. Essas soluções não só integram dados, mas também realizam uma análise crítica dos mesmos, transformando-os em informação refinada e fundamental, pronta para embasar a tomada de decisões. Alguns softwares realizam, por exemplo, complexos cálculos matemáticos de probabilidade para traçar um histórico comportamental dos clientes a partir do qual executa previsões de vendas.
Semelhante nível de eficiência não será em vão. De fato, a economia eletrônica da América Latina tem se mostrado muito maior, proporcionalmente, do que a economia real do continente, o que lhe faz merecer por parte das empresas o alto grau de importância que se verifica hoje. Há dois anos, o Brasil já representava 88% do mercado latino-americano de B2C (business to consumer), México incluído.
O foco exclusivo nos clientes como paradigma de atuação forçou, a partir de 1996, as empresas a se transformarem por completo, confortáveis que estavam centrando investimentos unicamente nos produtos, com consumidores formando fila no comércio. Hoje, são estes últimos que desfrutam do maior poder do mercado global, exigindo bens feitos quase que sob medida, pelo mesmo custo ou por um custo inferior ao praticado anteriormente. As companhias tiveram que passar pelo buraco da agulha para se adaptarem.
Agora, entender as particularidades dos clientes com agilidade e dar as respostas rápidas exigidas por eles é a equação sobre a qual se debruçam os executivos para obter, em todos os níveis da empresa, o lastro tecnológico que a solucione.
Aí está, pois, um novo paradi gma de agilidade proporcionado pelas novas ferramentas de TI aplicadas à gestão. É, portanto, o momento de as empresas obterem o melhor resultado que a Tecnologia da Informação pode gerar: lucros.
FLÁVIO L. RICHIERI é diretor de estratégia e desenvolvimento de soluções da SSA Global Technologies.





