A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) e as poucas indústrias que monopolizam o mercado de leite no Paraná não souberam explicar à CPI dos Alimentos os motivos pelos quais pagam tão pouco pelo produto (R$ 0,18 e R$ 0,20/litro) enquanto o preço ao consumidor gira em torno de R$ 1,20/litro.
Os argumentos da Apras não convenceram a CPI. Ela não abriu sua planilha de custos e ainda mostrou pouco interesse em colaborar com informações. Já as indústrias acusam o varejo de pessionar os preços para baixo o que as obriga a pagar pouco pela matéria-prima.
A CPI do leite que passou quatro meses estudando gargalos na comercialização do alimento, identificou pelo menos 15 pontos obscuros que sugerem manipulação do mercado. Vão desde descontos e bonificações à exigências com relação a prazos e outras facilidades cedidas ao varejo sob pressão.
Ontem, cerca de 600 produtores de leite e os 16 deputados que fazem parte da CPI, presidida por Orlando Pessuti, ouviram exposição do técnico do Deral, Osmar Busignani, sobre o diagnóstico parcial da realidade do leite - que exige saneamento imediato.
O representante dos produtores, médico-veterinário Ronei Volpi, da Faep, entrevistado na oportunidade, disse que o diagnóstico está correto. ‘‘Ficou claro que só os produtores são sacrificados’’- disse. Para Volpi, é preciso construir uma nova relação entre os agentes da comercialização. E que a riqueza gerada pelo leite precisa tem que ser distribuída de maneira equânime.
Para Volpi, os preços pagos pelo consumidor estão adequados, são justos. As distorções ocorem no processo entre indústria e varejo. Na briga por margem de lucro o preço pago ao produtor não cobre o custo médio de produção de R$ 0,38/litro.
Volpi acha que se o varejo não colaborar com esse trabalho contra a crise do leite, a CPI pode entrar com pedido de ação investigativa junto à Secretaria de Direitos Econômicos do Ministério da Justiça e daí ao CADE.
Outra constatação do diretor da Faep: fica claro a falta de reforma tributária. O diagnóstico da CPI aponta distorções nos critérios do ICMS sobre leite longa vida. O Rio Grande do Sul, por exemplo, não cobra ICMS do longa vida e entra de forma desleal nos grandes mercados. E enquanto o produtor paranaense recolhe 18% de imposto ao adquirir uma ordenhadeira, em outros Estados o imposto é de 8%; outros simplesmente isentam, como é o caso de São Paulo. Distorções semelhantes ocorrem com os resfriadores de leite.
Da reunião de ontem, durante Encontro Estadual de Produtores de Leite, participaram também deputados de Minas Gerais e Goiás, que revelaram uma série de abusos provocados por grandes empresas que operam no setor.

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