Lucro de telefônicas cresce 55%
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - As companhias de telefonia fixa e celular tiveram nos primeiros seis meses do ano o melhor resultado desde 1999, primeiro ano depois da privatização do setor, promovida em 1998. De acordo com os balanços já publicados por essas empresas, o lucro líquido total no semestre foi de R$ 1,9 bilhão, um aumento real (descontada a inflação) de 55%, comparado ao mesmo período de 2003. Além do aumento de tarifas, que pesaram progressivamente mais no bolso do brasileiro nos últimos anos, contribuiu para o resultado a consolidação dos fortes investimentos realizados pelas empresas de telefonia fixa.
''O resultado mostra que o setor poderá ter um crescimento bastante intenso até o fim do ano'', analisa Einar Rivero, diretor da consultoria Economática, que preparou o levantamento. No primeiro semestre de 1999, ano seguinte à privatização, o lucro das empresas do setor foi de R$ 535,9 milhões - quase um terço do valor deste ano.
Em julho deste ano, o reajuste do telefone fixo captado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 4,88%, o que provocou um impacto de 0,16 ponto porcentual no índice fechado do mês (0,91%). Somado ao reajuste da energia elétrica, o peso dos dois itens representou quase um terço da inflação captada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês passado.
O analista de telecomunicação do Banco Pactual, Rodrigo Ortigão, explicou que o destaque no desempenho do setor foram as operadoras de telefonia fixa. Isso se deve, basicamente, à ''maturação dos investimentos feitos ao longo do período de universalização, até 2001 e 2002''. As companhias tiveram de investir pesado, o que provocou custos financeiros e também despesas operacionais. A redução dos juros também beneficiou o custo da dívida, diz o analista do Banif Investment Banking, Roger Oey.
Com a redução dos investimentos, as empresas podem usar a geração de caixa para reduzir as dívidas e as despesas financeiras, além de utilizar os investimentos realizados. O diretor da Economática, Einar Rivero, cita que a receita das empresas pesquisadas cresceu em média 10,7% e as despesas financeiras líquidas ficaram praticamente estáveis no semestre. Rivero argumenta que o aumento da receita decorreu, basicamente, do reajuste das tarifas de telefonia. No caso da telefonia móvel, houve aumento de usuários.
Uma pesquisa do IBGE mostra que entre 1995 e 1996 os gastos com tarifa de telefonia (fixa e móvel) respondia por 1,69% do total do orçamento doméstico. Na pesquisa mais recente, este peso praticamente duplicou, para 3,3%, em grande parte porque a variação das tarifas superou a média da inflação.
Segundo a consultoria Global Invest, enquanto a tarifa de telefonia fixa cresceu 72,4% de agosto de 1999 a julho deste ano, o IPCA subiu 51,9%.


