Lucro das empresas do PR cai cinco vezes em um ano
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
As empresas paranaenses amargaram um prejuízo no ano passado cinco vezes maior do que em 1998. As perdas sofridas foram de R$ 1,9 bilhão e foram capitaneadas por grandes companhias estatais e privadas. Os piores resultados foram apresentados pelo Banestado, que mesmo com uma injeção de recursos de R$ 5 bilhões do Banco Central, ainda fechou o ano com prejuízo de R$ 538,7 milhões, mas houve ainda o caso da montadora Renault que ficou no vermelho com R$ 552,4 milhões.
O desempenho das 100 maiores empresas foi apresentado ontem, em Curitiba, pela diretoria da revista gaúcha Amanhã e pela consultoria Arthur Andersen. Elas apresentaram os resultados da décima edição da pesquisa Grandes & Líderes, que mede o potencial empresarial dos 100 maiores grupos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e as 200 maiores de São Paulo. Faz-se ainda uma comparação dos números entre os Estados (leia abaixo).
O resultado paranaense indica que as empresas foram afetadas por dois fatores preponderantes: desvalorização do Real, no início de 99, e aumento dos investimentos, principalmente nas empresas de telefonia. As companhias de telefone fecharam o ano com números negativos. A Telepar Brasil Telecom teve prejuízo de R$ 45,9 milhões e a Global Telecom de R$ 95,9 milhões. As duas estão financiando investimentos e com a variação cambial houve um maior prejuízo, afirmou o diretor-presidente da Arthur Andersen no Paraná, José Écio Pereira.
No caso da montadora Renault, o prejuízo estaria atrelado aos investimentos feitos no Estado. O prejuízo é normal, já que se trata de uma empresa que está iniciando seu faturamento no Brasil, investindo em produção própria para os mercados interno e externo, avaliou Pereira.
Dos dez maiores prejuízos registrados no Estado, nove são de empresas privadas. Além das telefônicas, estão na lista a Inepar com resultado negativo de R$ 254 milhões e a Klabin com R$ 115,7 milhões. A Inepar justificou seu prejuízo como consequência dos problemas com o projeto de telefonia por satélite, o Iridium.
Segundo Pereira, o desempenho que as empresas estão tendo este ano sinaliza uma melhora nos resultados para 2000. Não temos este ano os efeitos da desvalorização e as empresas estão crescendo em faturamento e no valor ponderado de grandeza, analisou.
Assim como o prejuízo aumentou em cinco vezes, as empresas paranaenses que tiveram lucro têm de comemorar um aumento no somatório de R$ 924 milhões para R$ 1,3 bilhão. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) desponta com lucro de R$ 277,7 milhões, seguida pelo HSBC com lucro de R$ 240,3 milhões. A Cimentos Rio Branco (grupo Votorantim) está em terceiro com lucro de R$ 103 milhões.
A Copel apareceu como a maior empresa no Valor Ponderado de Grandeza (VPG), com R$ 3,23 bilhões (6,9% superior sobre 98). Este valor representa uma média entre patrimônio líquido, receita bruta e lucro ou prejuízo. Em seguida está o HSBC com R$ 1,71 bilhão e a Telepar Brasil Telecom com R$ 1,35 bilhão.


