Lucro das 500 maiores empresas cai 83,23%
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de junho de 2003
Jander RamonAgência Estado 
São Paulo - O lucro líquido das 500 maiores empresas brasileiras caiu de US$ 10,02 bilhões, em 1997, para US$ 1,68 bilhão, uma queda de 83,23%, segundo levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fecap), para a publicação ''Melhores e Maiores 2003'', publicada pela Revista Exame.
Para chegar a esses números, os técnicos contabilizaram os balanços das empresas em seus respectivos anos, trouxeram a valores de 2002 com a correção pela inflação, e converteram pela cotação do dólar do Banco Central (BC) de 30 de abril de 2003, de R$ 2,8898.
''Poderíamos ter convertido pelo dólar do dia 31 de dezembro de 2002, mas consideramos que a moeda norte-americana estava superestimada, cotada a R$ 3,52 e, por isso, os valores absolutos poderiam ser prejudicados'', explicou ontem o coordenador técnico do estudo, Ariovaldo dos Santos, ao divulgar os dados.
O levantamento aponta que o faturamento bruto das empresas passou de US$ 273,39 bilhões, em 1997, para US$ 345,83 bilhões, em 2002. Os ativos das companhias recuaram, no período, de US$ 375,98 bilhões, em 1997, para US$ 361,71 bilhões, no ano passado. As dívidas das empresas apresentaram crescimento, ao saltar de US$ 151,60 bilhões, em 1997, para US$ 211,85 bilhões, em 2002.
''Lucros e dívidas financiam os ativos e essa informação sobre a dívida é ruim, porque demonstra que as empresas não estão investindo. Como os lucros caíram muito, os empresários não têm com o que investir'', analisou. ''Como os juros estão altíssimos, as empresas não se endividam e, portanto, não investem'', complementou.
Segundo o coordenador-geral do ranking da publicação, Nelson Carvalho, membro da Fipecafi, na comparação entre 2002 e 2001, o faturamento das 500 maiores empresas brasileiras registrou um pequeno crescimento de 1,1%. ''As vendas de 2002 desabaram e foram um prenúncio do que viveríamos nesse momento atual'', afirmou.
De acordo com ele, outra indicação do momento ruim foi identificado no desempenho da rentabilidade dessas companhias. Em 2002, a rentabilidade média das empresas sobre patrimônio foi de 0,8%, enquanto em 2001 esse índice ficou em 5,4% e, em 2000, atingiu 7,9%. ''Houve um desestímulo ao investimento no ano passado. O empreendedor deixou de empreender'', comentou.
Ao avaliar o desempenho das vendas por regiões do País, Carvalho explicou que o baixo índice de 1,1% ficou concentrado principalmente no Sudeste, embora o coordenador não tenha informado em qual porcentagem. Nas regiões Norte e Nordeste, o faturamento das empresas cresceu 4,2% na comparação entre os dois anos, superior aos 2,8% verificados no Centro-Oeste, e inferior aos 6% encontrados na região Sul.


