Lucro da Petrobras despenca 62%
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sexta-feira, 10 de maio de 2002
Agência Estado 
Rio - A Petrobras registrou no primeiro trimestre lucro de R$ 866 milhões, resultado 62% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (R$ 2,27 bilhões). O balanço divulgado ontem revelou números abaixo das expectativas mais pessimistas do mercado, que apontavam lucro de R$ 1,5 bilhão. O diretor-financeiro da companhia, João Nogueira Batista, disse que a redução ocorreu devido à queda do preços dos derivados de petróleo no mercado externo e da gasolina no mercado interno, além do decréscimo no volume de vendas de nafta.
Otimista em relação à melhoria dos resultados da companhia no segundo trimestre, Batista disse que a queda de 30% dos preços dos derivados de petróleo no mercado internacional no primeiro trimestre foi o principal fator responsável pela redução do lucro. Segundo ele, a redução na cotação dos derivados ocorreu em consequência da diminuição do consumo, já que houve desaceleração da economia mundial, além da menor oferta de petróleo por causa dos conflitos no Oriente Médio.
Outro fator apontado por Batista foi a redução de 4% no valor físico das vendas no mercado interno. Nesse caso, a queda ocorreu especialmente por causa da importação de cerca de 30% da nafta consumida diretamente pelas petroquímicas, que resultou em perda de mercado em porcentual idêntico para a Petrobras.
O balanço da companhia foi afetado também pela redução de 25% no preço da gasolina nas refinarias no primeiro dia do ano, levando a uma queda de 17% na receita operacional líquida (R$ 11,3 bilhões) ante o mesmo período de 2001 (R$ 13,5 bilhões). Batista citou ainda os R$ 126 milhões em perdas cambiais líquidas das controladas da companhia no exterior, em decorrência da valorização do real.
Apesar do fraco desempenho do primeiro trimestre, Batista disse que a performance operacional da companhia continua sólida. Ele destacou que o desempenho da empresa acompanhou os resultados do setor no mercado externo. Como exemplo, citou reduções no lucro trimestral de companhias como Shell (-42%), Exxom Mobil (-58%) e Chevron Texaco (-70%).


