Lucro da Copel teve queda de 31% em 99
Carmem Murara
De Londrina
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou o ano de 1999 com redução de 31,27% em seu lucro líquido, que foi de R$ 277,16 milhões, contra R$ 403,26 milhões registrados no ano anterior. A queda, considerada uma das maiores dos últimos anos, foi em decorrência da desvalorização do Real, ocorrida em janeiro do ano passado. Segundo avaliação feita ontem pela diretoria da Copel, as dívidas da empresa e a compra de energia de Itaipu, ambas cotadas em dólar, provocaram a redução dos números. O balanço será aprovado pelos acionistas, em assembléia, marcada para a próxima segunda-feira.
Mesmo com variação negativa, o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Ferdinando Schauenburg, disse que a queda foi mais amena do que se esperava, no início do ano passado. Os resultados do primeiro trimestre indicavam que haveria um desastre nos números, mas isso não ocorreu, disse. Nos primeiros três meses, o prejuízo foi de R$ 2 milhões, enquanto no trimestre seguinte houve resultado positivo de R$ 30 milhões.
A compra de energia de Itaipu foi a grande vilã, não só para a Copel, mas para todas as demais companhias de energia elétrica que negociam com a binacional. A Copel comprou praticamente a mesma quantidade de energia de 98, mas gastou quase o dobro, ou seja, R$ 304 milhões contra R$ 161 milhões em decorrência da desvalorização da moeda.
Schauenburg disse ainda que as empresas que tinham maiores dívidas sentiram com mais intensidade as variações do dólar. Pesou para todas as companhias que tiveram um aumento no custo de suas dívidas, afirmou. No fechamento do balanço, em 31 de dezembro, a Copel estocava uma dívida de US$ 440 milhões (R$ 760 milhões) e acumulava um patrimônio líquido de R$ 4.627.551.000,00 (3,78% superior a 98). O endividamento da companhia é de 30,6% em relação ao patrimônio líquido.
A Copel esperava obter maior rentabilidade no patrimônio líquido. A meta que as companhias trabalham é atingir remuneração do capital de 10%, mas o índice foi de 6%. Schauenburg lembrou que um dos melhores desempenhos foi alcançado em 98, com rentabilidade de 9%.
O balanço mostra ainda que houve aumento de receita de R$ 80 milhões, provocado pelo aumento da tarifa, em junho. As contas com gasto de energia ficaram em média 12,6% mais caras. Uma fonte nova de receita foi a venda de transmissão, que rendeu aos cofres da Copel R$ 19 milhões. Em compensação, ela teve de pagar R$ 80 milhões para comprar a transmissão da Eletrosul e outras companhias, resultando num saldo negativo de R$ 61 milhões.
Um novo aumento da tarifa será feito em maio. Ele acompanhará a inflação calculada pelo IGP-M, referente a junho de 99 a maio de 2000. O reajuste é autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A expectativa da Copel para este ano é conseguir melhorar os resultados obtidos em 99, pois há previsão de crescimento da economia. O diretor de Finanças e Relações com Investidores arrisca um palpite de que o aumento no consumo será de 6%. Apesar da estagnação da economia em 99, indústria, comércio e consumidores residenciais gastaram em média 4% mais energia elétrica. O setor do comércio foi o que mais cresceu, com variação de 5,2%, seguido da indústria com 5,1%.





