Lucro da Copel cai no 1º trimestre
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terça-feira, 17 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O resultado do primeiro trimestre de 2005 da Companhia Paranaense de Energia (Copel) aponta uma queda de 12,6% no lucro líquido da estatal. O lucro apurado no período janeiro a março foi de R$ 78,4 milhões, inferior aos R$ 89,7 milhões de lucro no mesmo período do ano passado. Em conferência aos analistas e investidores do mercado financeiro, ocorrida ontem, o presidente da empresa, Rubens Ghilardi, criticou a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que não empresta recursos para empresas públicas e sinalizou que a empresa pode recorrer à emissão de debêntures para financiar investimentos.
Para a empresa, o resultado do trimestre deve ser atribuído ao aumento das despesas operacionais, como a elevação de 55% no valor da energia comprada para revenda. Outros custos também forma elevados. Os repasses para fundos intra-setoriais como a Conta de Desenvolvimento Energético tiveram acréscimo de 80% e a Conta de Consumo de Combustíveis, uma alta de 23%. Os pagamentos de encargos de conexão ao sistema elétrico subiram 102%.
O aumento das despesas acabou neutralizando o aumento da receita operacional líquida da empresa, que chegou a R$ 1,15 bilhão no primeiro trimestre, resultado 26,9% maior que no primeiro trimestre do ano passado, quando a receita foi de R$ 879,6 milhões, concordou Ghilardi. Os investimentos no primeiro trimestre somaram R$ 95,3 milhões.
A Copel programa investir até o fim do ano R$ 511,5 milhões na expansão, modernização e conservação dos seus sistemas. Para isso, Ghilardi afirmou que a empresa pode recorrer a financiamentos junto ao Banco Mundial (Bird) e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid), e mesmo ao BNDES, caso haja disposição do governo federal em reverter a decisão de não financiar estatais.
O diretor não descartou o investimento em novos empreendimentos de geração, desde que a Copel tenha participação majoritária. Ghilardi admitiu que a empresa está conversando com empresas privadas e com a Eletrosul para discutir investimentos. Mas destacou que a participação efetiva da Copel em novos projetos depende de retorno suficiente para pagar os empréstimos e acionistas. O balanço apontou que o endividamento da empresa atingiu R$ 1,766 bilhão, sendo R$ 530,32 milhões de curto prazo.
Ghilardi aposta ainda no reajuste nas tarifas de energia previsto para junho para melhorar o equilíbrio da empresa. Segundo ele, a Copel tem uma parcela de 8,2% de reajuste do ano passado que ainda não foi repassado ao consumidor. Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pode decidir por um reajuste entre 7% e 8%. A preocupação é promover os reajustes na dose certa, para não elevar a inadimplência.


