Lucro cresceu 67% nas 170 maiores empresas
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Uma pesquisa com as 170 companhias abertas mais representativas do mercado de ações no País que já divulgaram seus balanços mostra que os lucros deram um salto de 67,88% entre 1995 e 1996. Mesmo sem a inclusão das oito companhias telefônicas, que tiveram um espetacular crescimento de 174,8% em seus ganhos no período, o resultado ainda é expressivo: esse grupo de companhias abertas teve lucros 37,34% superiores aos de 1995.
O trabalho foi feito pelo time de analistas do Banco Schahim Cury, que se debruçou sobre os balanços dos mais diversos setores, de transporte aéreo a fertilizantes. Os lucros dessas 170 empresas pulou de R$ 7,809 bilhões para R$ 13,110 bilhões em 1996. As subsidiárias da Telebrás registraram a maior fatia do bolo, R$ 4,770 bilhões, ou 36%. No setor privado, as campeãs de lucro foram as empresas de eletrodométicos, que multiplicaram seus ganhos em 157%, para R$ 452 milhões.
Na opinião do analista chefe do Banco Schahim Cury, Fabio Anderaos, os números mostram que já passou a fase de ajustes das empresas brasileiras, após o vendaval provocado pela abertura do mercado. Parou o sufoco, resume. Agora, os empresários se voltam para um sintonia mais fina, acertando o foco dos seus negócios e procurando seu nicho de mercado. Os ajustes mais pesados já passaram, diz. Uma prova disso é que, em geral, as margens dos diversos setores melhoraram.
Para Anderaos, o único setor que ainda sofre com uma pesada concorrência externa é o de vestuário. Neste caso, não existem barreiras, observa. O comércio pode importar com grande facilidade produtos do Sudeste Asiático. Além disso, as confecções de menor porte envolvem pouco investimento e travam uma guerra de guerrilha com as grandes indústrias que pagam impostos. As margens nesse setor são bastante apertadas. Passaram de 1,1% em 1995 para 0,2% no ano passado (relação lucro líquido sobre receita líquida).
Outros setores que sofreram queda nos lucros, como papel e siderurgia, enfrentaram no ano passado dificuldades conjunturais com redução dos seus preços internacionais e domésticos. Um segmento específico é o de bens de capital, que também viu seus resultados afundarem 63,1%.


