O agricultor que investiu em soja nas duas últimas safras tem motivos de sobra para comemorar. Na safra 2001/02, a rentabilidade sobre o custo operacional da cultura foi de 96,7%. Isso significa que para obter cada saca da commodity, foram gastos, em média, R$ 13,06. Como o preço médio de venda foi R$ 25,69 por saca, o lucro do produtor chegou a quase 100%.
Este ano, as perspectivas continuam excelentes. De acordo com a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), atualmente a rentabilidade sobre o custo operacional está em 87%. Ontem, a saca foi negociada a R$ 33,00 no Estado.
Os números animadores, segundo Vera, se repetem nas outras principais culturas do Estado. A rentabilidade do milho foi de 15% em 2001/02, com custo operacional de R$ 12,05 e saca vendida, em média, por R$ 13,90. Hoje, o índice é de 25%, com o produto comercializado a R$ 16,50.
Com relação ao feijão, a rentabilidade da safra passada foi de 38%, com despesas operacionais médias na ordem de R$ 39,00 e saca vendida ao preço médio de R$ 53,98. Na safra 2002/03, a rentabilidade atual é de 60%.
A especialista explicou que a conjuntura resulta da boa produtividade obtida no período, aliada ao câmbio favorável que melhorou os preços das commodities. Além disso, a maioria dos agricultores comprou os insumos logo que terminou a safra passada, fugindo da alta repassada aos fertilizantes e defensivos após a disparada do dólar, no segundo semestre do ano passado.
Este ano, mesmo com os indicativos de desvalorização da moeda americana, a situação continua favorável ao produtor. ''O preço médio deve ser maior que o do ano passado. Além disso, a compra de insumos será feita com o dólar mais baixo'', analisou.
O agricultor Neudi Mosconi, de Cascavel, acredita que os mais favorecidos na atual safra foram os produtores que compraram insumos no final da safra 2001/02 e conseguiram colher antes, graças ao plantio de variedades precoces. ''Quem vendeu a saca por R$ 42,00 lucrou mais de 100%'', disse.
Não foi o seu caso, que conseguiu fugir da alta dos insumos mas obteve uma colheita tardia, por causa das características da região e de uma chuva de granizo que o obrigou a replantar a lavoura de soja. Os grãos terminaram de ser colhidos há 15 dias, mas o produtor não quis arriscar e já vendeu toda a safra de soja e milho. ''Foi um ano bom'', comemora ele, que ainda não comprou insumos para a próxima safra porque espera que os preços diminuam.
Na região de Londrina, o produtor Adão de Pauli também espera que os preços de insumos caiam e, por isso, ainda não fez as compras. Com relação à venda da safra, porém, tomou uma decisão diferente de Mosconi: vai esperar para comercializar no final do ano, apesar da desvalorização do dólar. ''Vou sentar em cima da soja e esperar. Acho que o preço volta a R$ 42,00'', acredita.
Com custo de produção de R$ 19,00 por saca e venda da soja a R$ 35,00 na safra passada, ele considerou irreal o custo calculado pelo Deral. ''Apesar de tudo, nos dois últimos anos eu não tenho do que reclamar'', afirmou.

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