LRF impede governo de investir na construçao civil
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o investimento público na construção civil foi reduzido praticamente a zero. Os governos federal, estaduais e municipais que, tradicionalmente, encomendavam obras em ano eleitoral este ano praticamente ''sumiram'' do mercado, lamenta o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Ramon Andrés Dória.
Com isso, agravou-se o desemprego no setor, que, só na Região Metropolitana de Curitiba, representa 3 mil vagas a menos de julho de 2001 para cá, conforme levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
O desemprego na construção civil é o reflexo da estagnação que se abateu no setor, provocada pela política do governo, disse Dória. O empresário atribuiu o péssimo desempenho da indústria à alta dos juros, que refreou os investimentos em imóveis. Por outro lado, ele lembrou que a incidência de elevada carga tributária também está levando muitas empresas a contratarem os trabalhadores na informalidade, aumentando ainda mais as estatísticas do desemprego.
Para Dória, só a recuperação da economia pode dinamizar novamente a construção civil. Ele adianta, que quando houver investimentos por parte do setor público e dos consumidores, as construtoras poderão elevar rapidamente em pelo menos 10% as contratações formais, que correspondem a geração de 15 mil novos postos de trabalho.
Alguns setores da indústria da transformação como as montadoras, vestuário e calçados e indústria de material elétrico e de comunicações também estão com desemprego em alta no primeiro semestre, em função de resultados negativos. A pesquisa Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), detectou queda de 70,22% nas vendas da indústria de material elétrico, de 25,48% no resultado na indústria do vestuário e de 18,52% nas indústrias metalmecânicas. A pesquisa da Fiep é feita em mais de mil estabelecimentos em todo o Estado.
As indústrias de material elétrico e de telecomunicações entraram em retração desde que as telefônicas reduziram as encomendas de fibras óticas e de telefones. O setor que estava em expansão até o ano passado, reduziu fortemente as encomendas este ano, com a estabilização da demanda por linhas telefônicas e outros produtos. O setor de vestuário foi fortemente atingido pela ausência de clima mais rigoroso no inverno dos últimos dois anos e o setor das montadoras enfrenta o drama na queda de renda dos consumidores.


