Loyola quer proteção contra ‘ataques’
Agência Estado
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola defendeu ontem a tese de que os países emergentes necessitam ter algum tipo de mecanismo que os protejam contra a volatilidade do capital estrangeiro. Na sua opinião, não é suficiente apenas a boa gestão governamental das políticas macreeconômicas para que um país reduza o risco de ser vítima de movimentos especulativos.
Em longa conferência sobre as operações financeiras internacionais em uma economia globalizada, durante a 32ª Assembléia Geral do Conselho Interamericano de Administrações Tributárias (Ciat), Loyola chamou a atenção para o fato de que crises cambiais podem ser também provocadas por anomalias do próprio mercado. O ex-presidente do BC afirmou ainda que os países emergentes são mais vulneráveis à voltatilidade de capitais justamente porque dependem mais desses capitais.
Ele disse que, entre os mecanimos de proteção dos países emergentes, estão o uso do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e de prazos de permanência (conhecidos como quarentena). ‘‘Estou fazendo uma defesa do que o Brasil já faz atualmente’’, frisou. ‘‘Eu sou contra a abertura completa, sou contra o escancaramento’’, disse Loyola.
O presidente mundial do BankBoston, Henrique Meirelles, ao comentar a conferência de Loyola, afirmou que a única saída para que os países emergentes se protejam de movimentos especulativos é os governos darem cada vez mais informações de boa qualidade para o mercado. ‘‘Mesmo porque não dá mais para voltar à época do seguro global de crédito’’, afirmou Meirelles.
Loyola reforçou ainda ser contra a redução ou a retirada completa do IOF que incide atualmente nas aplicações financeiras dos investidores estrangeiros. Ele explicou aos participantes que o IOF é um imposto regulatório, cujo principal objetivo é dar tratamento diferenciado para os capitais especulativos e os capitais mais estáveis.
‘‘Se o governo retirar o imposto, acabará com a diferenciação e o País passará a estimular o capital especulativo’’, frisou. Segundo Loyola, se o objetivo do governo for mesmo o de baixar os juros, o caminho mais viável seria o de reduzir o Imposto de Renda na fonte, de 20% para 15%, que incide sobre as aplicações financeiras dos investidores nacionais. O ex-presidente do BC acredita que a redução dessa alíquota permitiria ao governo diminuir as taxas de juros em pelo menos dois pontos porcentuais.

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