Loyola prevê juros a 22% até dezembro
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Carmem Murara 
Marcelo AlmeidaO ex-presidente do BC, Gustavo Loyla: discurso otimista sobre recuperação da economia brasileiraO ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, afirmou ontem que o governo federal precisa manter a redução gradual das taxas de juros para evitar uma crise maior em vários setores da economia, principalmente entre as pequenas e médias empresas. Loyola esteve em Curitiba para participar do Fórum de Economia 98: Desafios e Oportunidades. O evento, que foi promovido pelo Banco do Brasil, Sebrae e Fiep, teve como participantes Loyola e o jornalista de economia Luis Nassif.
Loyola fez um discurso otimista em relação à recuperação da economia brasileira, abalada com a crise do mercado asiático no final do ano passado. A queda nas bolsas fez o governo federal baixar um pacote econômico que provocou o fechamento de empresas e aumentou o desemprego. Temos de adotar uma unidade forte no emprego, afirmou, ao defender a redução dos encargos sociais sobre a folha de pagamento.
A palestra do ex-presidente do Banco Central foi sobre a ameaça externa à estabilização econômica. Loyola disse não acreditar que o País esteja na iminência de uma crise semelhante à que abalou os Tigres Asiáticos. Não somos a bola da vez e quem disse isso foi leviano, afirmou. Ele comentou que o Brasil se diferencia da Ásia pelo comportamento especulativo típico do sistema financeiro daqueles países. Loyola afirmou que o País precisa estruturar melhor o seu sistema financeiro e os Estados para evitar oscilações econômicas.
Gustavo Loyola e Luis Nassif defenderam pontos convergentes sobre os rumos da economia brasileira, principalmente quando defenderam a Reforma Tributária. Mas em um ponto o jornalista discordou do ex-presidente do BC. Nassif não concorda que redução de taxas de juros beneficie pequenas e médias empresas. Não faz diferença a taxa de juros, pois as empresas continuarão sem acesso a crédito mesmo que o índice caia para 12%, afirmou. A taxa de juros chegou a 43% e hoje foi reduzida para 28%.
Nassif afirmou que o desafio hoje é fazer chegar os recursos na ponta (empresas). O que interessa é como o dinheiro vai chegar para o pequeno, afirmou. Ele disse ainda que o desafio é organizar as empresas para aumentar a exportação.


