Arquivo FolhaA conta-gotasGustavo Loyola diz que o governo deu sinais de que pretende administrar os juros no dia-a-diaO ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, disse ontem que a queda da Taxa de Assistência do Banco Central (Tban) de 49,75% para 42,25% não representa ‘‘nenhuma mudança, na prática’’. ‘‘Mas o governo sinalizou que a trajetória é de queda’’. O BC, avalia, vai manter a administração dos juros no dia-a- dia, por meio da taxa do overnight (Selic).
As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) perderam importância, explica. Antes mesmo da próxima reunião, o BC pode operar com juros bem menores que o novo teto de 42,25%. Ontem mesmo os leilões do BC já indicaram uma taxa menor: 39,5%.
Na sua opinião, a taxa será fixada diariamente e o ritmo de queda será dado por três movimentos: assinatura do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ritmo de aprovação das medidas do pacote fiscal no Congresso Nacional e regularização dos fluxos cambiais (fim das saídas ou estabilização). ‘‘Acho que o Banco Central está esperando a assinatura do acordo para iniciar um processo de queda mais rápida’’, observa Loyola. Ele considerou a fixação da Tban em 42,25% uma medida de ‘‘excesso de conservadorismo’’. ‘‘A taxa poderia ter baixado mais’’, opinou. O programa de ajuste fiscal, ponderou Loyola para uma platéia de executivos reunida em evento do American Express, só faz sentido se os juros cairem rapidamente.

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